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Discernir Adequadamente a Autoridade Espiritual
para Seguir o Senhor Corretamente

Introdução

A questão de autoridade é um assunto importante na Bíblia. O próprio universo é sustentado pela palavra da autoridade de Deus (Hb 1:3). A obra de Deus nesta era é estabelecer o Seu reino como a esfera na qual Ele é expresso e Sua autoridade é mantida (Mt 6:13). Assim, o reino é uma parte crucial do cumprimento do propósito de Deus em criar o homem (Gn 1:26).

A igreja hoje é o reino de Deus (Rm 14:17; Mt 16:18-19). Ela tem a primazia no encabeçamento de Cristo (Ef 1:10). Numa vida normal da igreja, o estabelecimento da autoridade de Deus é uma preocupação vital. Porquanto o assunto sobre autoridade espiritual foi mal usado por alguns dentro da restauração do Senhor bem como por muitos de fora, é muito necessária uma compreensão adequada da autoridade espiritual. Este documento não tenta tratar exaustivamente com o tópico sobre autoridade e submissão espiritual; em vez disso, ele procura abordar algumas das maneiras nas quais o uso de "autoridade" foi abusivo. Para uma compreensão mais ampla do tema sobre autoridade, favor recorrer à Leitura Recomendada no final deste artigo. Nesse artigo vamos examinar:

Recentemente alguns irmãos usaram sua "posição" de obreiros ou presbíteros para exigir obediência da parte dos santos. Esses irmãos ousaram declarar sua autoridade pessoal, fazendo disso um ponto de debate, e ao fazê-lo demonstraram sua carência da genuína autoridade espiritual. Autoridade no Corpo de Cristo não é posicional ou organizacional, mas espiritual. Sua aplicação também deve ser espiritual.

Autoridade espiritual é propriedade única da Cabeça, Cristo (Mt 28:18; Ef 1:22-23). Essa autoridade é transmitida no Corpo e por intermédio do Corpo na sua união orgânica em vida com a Cabeça. Os seres humanos—sejam apóstolos, profetas, presbíteros ou diáconos—não têm autoridade espiritual em si mesmo. Os homens somente podem agir como autoridade delegada de Cristo no grau em que estão na união orgânica com Cristo no espírito mesclado e corretamente relacionados com o Corpo. Além disso, essa autoridade delegada precisa ser exercida dentro da restrição do ensinamento dos apóstolos. O ensinamento dos apóstolos é a única liderança no Novo Testamento. A autoridade dos irmãos com dons não é exercida diretamente por intermédio de suas ordens ou controle das ações dos santos e das igrejas, mas é exercida indiretamente ministrando vida por meio do ensino segundo a economia neotestamentária de Deus. Na verdade, não seguimos pessoas tanto quanto seguimos a visão da economia neotestamentária de Deus.

Alguns têm dito que os santos nas igrejas devem obedecer a sua autoridade sem se preocupar se a essa autoridade em si é adequada ou não. Esse é um ensinamento incorreto e perigoso, como vamos demonstrar com numerosos exemplos contidos na Bíblia. É vital que os santos tenham uma compreensão adequada de autoridade segundo a verdade da Bíblia e um discernimento apropriado dessa autoridade: o que é genuíno e o que é pressupostamente reivindicado.

A genuína autoridade espiritual pode ser discernida observando-se tanto a pessoa como a maneira pela qual ela exerce a autoridade. A autoridade é proveniente da vida ressurreta de Cristo. Ela surge como revelação, isto é, o desvendar da economia neotestamentária de Deus. Assim, quando tocamos numa pessoa com autoridade espiritual, recebemos vida e revelação que se encaixa no ensinamento da economia neotestamentária de Deus por parte dos apóstolos. Também, quando tocamos numa pessoa com autoridade espiritual, somos introduzidos na luz, e o resultado é alegria e o florescimento do fruto da vida divina para alimentar outros.

Além disso, uma pessoa que exerce autoridade deve ser ela mesma uma pessoa sujeita à autoridade. No Novo Testamento, autoridade é uma questão que diz respeito ao Corpo. Ninguém pode pôr-se acima da autoridade do Corpo e vindicar representar a autoridade de Deus. Se um irmão não estiver disposto a ter sua obra mesclada com outros, nem colocar sua obra na oração e comunhão comuns dos cooperadores, a obra dele não estará sob a autoridade da Cabeça. A autoridade do trono está com aqueles que têm um céu claro (Ez 1:26). Quando uma pessoa com autoridade espiritual contata pessoas, ela não precisa vindicar a si mesma ou afirmar sua própria autoridade porque a presença e o testemunho do Espírito estão ali. Porquanto o próprio Espírito está ali, a autoridade do Espírito também está.

Podemos também discernir autoridade espiritual vendo como uma pessoa exerce autoridade. Autoridade espiritual não é exercida de uma maneira natural, humana. Não é organizacional ou administrativa. Na verdade ela não parece autoridade de maneira nenhuma. Antes, autoridade espiritual é uma questão de servir o povo de Deus como escravo, suprindo-lhes em amor mediante o fluir da vida ressurreta sobre eles ao apascentar, alimentar e proteger o rebanho. Aqueles que exigem obediência, para si ou para outrem, estão na esfera errada e violam o que Deus lhes demarcou (2Co 10:13).

Assim como há sinais de que uma pessoa tem autoridade espiritual, também há sinais se a presumida autoridade espiritual de alguém é ou não genuína. Por exemplo, se uma pessoa afirma sua própria autoridade, seja diretamente a si ou indiretamente por meio dos que o apóiam, está desqualificada para representar a autoridade de Deus. Se pratica autodefesa, sua autoridade não é genuína. Se deprecia a verdade ou enfatiza o "sucesso" na obra em vez da economia de Deus, se desviou do ensinamento dos apóstolos, que constitui a verdadeira liderança na era do Novo Testamento. Se efetua ou lidera outros para efetuar obra em rivalidade, está violando o princípio do Corpo e está assim em rebelião contra a Cabeça. Se procura estabelecer ou expandir uma área de influência ou região para sua própria obra pessoal dentro da restauração do Senhor, está servindo a seu próprio interesse e não o do Senhor.

Além disso, se uma pessoa exerce autoridade de uma maneira errada, isso indica que a autoridade daquela pessoa não é genuína. Se uma pessoa comporta-se como se fosse autoridade, se tenta exercer controle sobre os outros, se "espanca" seus co-escravos exercendo domínio ou censura, se extravia os santos ensinando diferentemente, ou se ela faz de sua própria "autoridade" a base de receber outros em comunhão, tudo isso é sinal que ela não tem verdadeira autoridade espiritual. Uma pessoa nunca pode ser uma autoridade se ela mesma estiver em rebelião contra autoridade. Sinais inequívocos que uma pessoa está em rebelião são palavras ofensivas, argumentos, e pensamentos rebeldes. Tais coisas são características típicas de pessoas facciosas, divisivas que o apóstolo Paulo insta para que as evitemos e nos afastemos delas (Rm 16:17; Tt 3:10).

Porquanto a autoridade espiritual é baseada no relacionamento constante de uma pessoa com Cristo, a autoridade espiritual não pode aumentar somente mediante crescimento em vida, mas ela pode também se perder por não permanecer atualizada com o Senhor em Seu mover, por não ser fiel à presente verdade e por tocar a autoridade de Deus de maneira imprópria.

Quando uma pessoa em uma posição de autoridade se desvia da verdade, nós não devemos segui-lo, mas também não devemos insultá-lo. Quando observamos tal desvio, temos uma responsabilidade de cooperar com o Senhor para buscar remediar a situação por buscar restaurar os crentes próximos a uma condição adequada. Não podemos fazer isso pela nossa própria habilidade. Devemos orar ao Senhor para que Ele possa infundir-nos com vida para que possamos ser um fator de vida aos santos. Em alguns casos, precisamos nos importar com os interesses de Deus procurando os Seus representantes para dar-lhes a conhecer a situação no princípio de informar ao sacerdote sobre um ataque de lepra (Lv 14:35). A casa de Cloe fez isso no Novo Testamento quando eles informaram o apóstolo Paulo sobre a situação em Corinto (1Co 1:11). Em alguns casos onde o desvio é grave, podemos precisar separar-nos dos vasos de desonra a fim de preservar o testemunho do Senhor (2Tm 2:20-21). Não devemos nos sentir intimidados por expressar uma genuína preocupação pela condição da igreja ou seus desvios da verdade por parte daqueles que proclamam que tal expressão de preocupação é rebelião. Na verdade, manifestar adequadamente tal preocupação ao Senhor e aos Seus representantes é nosso dever como um serviço ao Senhor, aos santos e à igreja.

Por fim, devemos todos pôr de lado a ambição por posição. No livro de Apocalipse, não há menção de presbítero, mas ele menciona aqueles que são "estrelas brilhantes", mensageiros que são um com o falar do Senhor nas igrejas e para elas. Essa deve ser uma aspiração em todos nós. O restante desse livro sucinto examina e desenvolve os pontos que acabaram de ser esboçados em resumo, apresentando tanto sua base bíblica como muita comunhão esclarecedora da parte dos ministérios de Watchman Nee e Witness Lee.

Entendimentos Básicos Sobre Autoridade e Sua Importância

Para compreender as questões relativas à autoridade com que estamos nos defrontando na restauração do Senhor hoje, precisamos de alguns entendimentos básicos sobre:

Autoridade na Administração Governamental de Deus

Há muitos pontos cruciais que precisamos compreender se quisermos conhecer a autoridade de Deus em Sua administração governamental. Entre esses pontos estão:

Se compreendermos esses pontos adequadamente, poderemos facilmente perceber que a comunhão do irmão Nee no livro Autoridade e Submissão foi mal utilizada por alguns tanto dentro como fora da restauração do Senhor.

A Única Fonte de Autoridade

Qualquer ponderação sobre autoridade precisa começar com uma afirmação sobre o encabeçamento absoluto de Cristo (Ef 1:22; 4:15; 5:23; Cl 1:18; 2:10; 1Co 11:3). Toda autoridade no céu e sobre a terra foi dada ao Cristo ressurreto (Mt 28:18). Ele é Senhor de tudo (At 2:36; 10:36), e Ele é o Ungido por Deus como o Cristo para levar a cabo a economia de Deus (At 2:36 e nota de rodapé 1).

Cl 1:18 - Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia.

Mt 28:18 - Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.

At 2:36 - Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

Um membro por si mesmo não tem qualquer autoridade; a autoridade está com a Cabeça. É errado qualquer membro dizer que tem autoridade. Um membro não tem autoridade diretamente, mas ela só pode provir da Cabeça. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 38, p. 487)

A autoridade de Deus nunca pode ser exercida independentemente Dele. Fora Dele, ninguém tem qualquer autoridade no Corpo, e fora Dele ninguém tem qualquer posto. Toda autoridade provém de Seu encabeçamento. Todos os crentes são simplesmente irmãos em vida (Mt 23:8; Ap 1:9) e co-escravos em seu serviço ao Senhor (Mt 20:27; 2Co 4:5).

Mt 23:8 - Vós, porém, não sereis chamados Rabi, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.

Mt 20:27 - E quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso escravo (lit.).

A queda de Satanás foi resultado de sua rebelião contra a autoridade de Deus (Is 14:12-15). Igualmente, a queda do homem foi resultado do homem juntar-se a Satanás em rebelião contra a autoridade de Deus (Gn 3:1-6). Quando Cristo veio, o reino também veio, porque em Sua humanidade Ele viveu uma vida de submissão e obediência absoluta para com a autoridade e vontade do Pai (Mt 26:39; Jo 8:29; Fp 2:6-8). Ele foi exaltado em Sua humanidade com Sua divindade ao trono de Deus baseado nessa submissão e obediência a Deus pela vida inteira (Fp 2:9).

Jo 8:29b - ... Porque Eu faço sempre o que Lhe agrada.

Fp 2:8-9 - [8] A si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. [9] Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome.

Autoridade no Corpo

Deus está operando nesta era para restaurar a ordem no universo encabeçando todas as coisas em Cristo (Ef 1:10). Sua maneira de fazer isso é primeiramente ganhar um grupo de pessoas e constituí-las com a vida divina e fazê-las membros do Corpo de Cristo unidos a Cristo, a Cabeça (Ef 1:22-23; 5:23; Cl 1:18). A autoridade da Cabeça sobre o Corpo é uma questão de união de vida. A Cabeça é a vida do Corpo, e ao ser a vida do Corpo Ele exerce a autoridade em, sobre e por intermédio do Corpo. Além disso, porque o Corpo está unido à Cabeça, o Corpo se torna a autoridade que governa o viver e operar dos membros de Cristo.

Depois de crermos no Senhor, o primeiro princípio espiritual que devemos ter em mente é que o Corpo é a autoridade ordenada por Deus sobre a terra. O Corpo é a autoridade. A lei de Deus está no Corpo e não podemos violá-la. Não podemos agir descuidadamente segundo nossa própria vontade. Quando agimos pela nossa própria vontade, tornamo-nos células malignas despercebidas no Corpo, fazendo as nossas próprias coisas e totalmente nocivas à unidade do Corpo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 896)

Toda autoridade exercida na igreja tem de expor esse testemunho: ela representa a vida e a autoridade da Cabeça no princípio do Corpo. Assim, não pode haver autoridade, local ou regional, fora do Corpo. Nenhum irmão pode ser uma autoridade representando Deus se não estiver correto para com o Corpo. Falando de maneira prática, isso significa que nenhum irmão entre nós pode ser uma autoridade representativa de Deus se não estiver correto com as manifestações práticas do Corpo de Cristo, as igrejas locais.

A Cabeça exerce autoridade sobre e por meio dos membros do Corpo em vida e como vida (Ef 4:15-16; Cl 2:19).

O Corpo está debaixo da autoridade da Cabeça; ele não pode propor coisa alguma de si mesmo. O poder de controlar o Corpo repousa na Cabeça. Onde estiver a vida, ali está a autoridade. De fato, a verdadeira autoridade é vida. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 38, p. 414)

Rigorosamente falando, não há autoridade no Corpo, mas toda autoridade repousa sobre a Cabeça. A fraqueza da assim chamada igreja hoje é que a autoridade se tornou uma questão de posição, não de vida. No Corpo de Cristo a autoridade é uma questão de vida, não de posição. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 44, p. 825)

Autoridade Delegada

Além da autoridade direta de Cristo, a Bíblia mostra adicionalmente que ao levar a cabo o Seu propósito, Deus exerce Sua autoridade por intermédio do homem. A Bíblia é cheia de exemplos dessas autoridades delegadas. Por exemplo, no Antigo Testamento há José, Moisés, Samuel e Davi, entre muitos outros. No Novo Testamento há os apóstolos na igreja universal (Ef 4:11; 1 Co. 12:28 e nota de rodapé 2) e os presbíteros nas igrejas locais (At 14:23; Tt 1:5). Na era do Novo Testamento, entretanto, essa autoridade não é uma autoridade dominadora (1 Pe 5:3), mas a autoridade para pregar o evangelho a fim de salvar pecadores (Mt. 28:19; At 1:8) e gerá-los como filhos de Deus (1Co 4:15), nutrir os crentes (Jo 21:15; 1Ts 2:7; 1Co 3:2), ensinar a verdade (Mt 28:20; 1Tm 2:7; 1Co 4:17), pastorear as ovelhas (Jo 21:16; 1Pe 5:2; 1Ts 2:11) e aperfeiçoar os santos visando a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4:11-16).1 Todas essas funções são baseadas no ministério de suprir vida mediante a função orgânica dos membros dotados. Nenhuma delas implica qualquer tipo de autoridade controladora ou de hierarquia organizacional dominante.

O Ensinamento dos Apóstolos

O ensinamento dos apóstolos, que transmite a revelação de Cristo aos crentes, é a autoridade na igreja hoje (At 2:42; 1Tm 1:3-4; Tt 2:15; cf. 1Tm 2:12). O primeiro item na Epístola de Paulo a Tito, cujo tema é a manutenção da ordem na igreja, é apegar "à palavra fiel, que é segundo o ensinamento dos apóstolos" (Tt 1:9 - RcV). A manutenção da ordem é uma questão de autoridade e esta repousa no ensinamento dos apóstolos.

A liderança do Novo Testamento nos Evangelhos era uma pessoa. Essa pessoa era o próprio Senhor Jesus. Mas desde Atos até Apocalipse, a única liderança neotestamentária se tornou o ensinamento dos apóstolos. Assim, nem Pedro nem Paulo controlavam qualquer igreja, mas o seu ensinamento sim. Podemos ver isso em 1 Timóteo onde Paulo exortou Timóteo a permanecer em Éfeso a fim de poder admoestar alguns a não ensinar coisas diferentes da economia de Deus (1:3-4). Ensinamentos diferentes são ensinamentos que são diferentes do ensinamento dos apóstolos acerca da economia de Deus. Esse ensinamento constitui a única liderança.

O ensinamento dos apóstolos é nossa constituição que nos governa. Pedro e Paulo não governavam as igrejas. O ensinamento dos apóstolos, o ensinamento acerca da economia de Deus, é que governa. (Elders' Training, Book 9: The Eldership and the God-ordained Way (1), p. 80)

A liderança dos apóstolos no Novo Testamento foi exercida por meio do seu ensinamento, não por qualquer tipo de controle.

A liderança no ministério neotestamentário, porém, não é a liderança no sentido mundano, de controlar os outros. Na restauração do Senhor não temos membros de um conselho com um presidente ou diretor.

Além disso, essa liderança não é a liderança nos atos dos ministros, mas em seu ensinamento para restringi-los de serem divisivos. (...) A liderança que é mostrada no Novo Testamento reside principalmente nos ensinamentos dos ministros, não nos atos dos cooperadores. (Leadership in the New Testament, p. 17)

Uso Errôneo do Livro "Autoridade e Submissão" do Irmão Nee

O irmão Nee expôs cabalmente essas questões em seu livro clássico Autoridade e Submissão. Tomado de modo integral, a comunhão do irmão Nee é bem equilibrada, mas muitas pessoas têm usado erroneamente trechos selecionados desse livro para reivindicar autoridade sobre os outros ou exigir obediência deles.

Sinto muito o fato de alguns cristãos utilizarem o livro do irmão Nee, Autoridade Espiritual [2], para fazer de si mesmo autoridade sobre outros. Esse tipo de autoridade é auto-assumida. (Estudo-Vida de Apocalipse, p. 881)

O irmão Lee enfatizou especificamente a aplicação errônea da comunhão do irmão Nee por intermédio de alguns, tanto fora como dentro da restauração do Senhor, que exercem autoridade humana da forma de organização e hierarquia.

Receber qualquer ensinamento descuidadamente pode sempre causar erros subseqüentes. Muitos, fora da restauração, usam o ensinamento do irmão Nee sobre autoridade espiritual como base para exercer, não autoridade espiritual, mas sua autoridade humana. Não exercer a autoridade em vida, mas pela organização. Tem também havido em nosso meio um subproduto desse erro subseqüente: O conceito de que certo irmão é o primeiro entre os cooperadores ou outro é o primeiro entre os presbíteros. (Treinamento de Presbíteros, Volume 4: A Prática da Restauração do Senhor, p. 132)

Uma Orientação Enganosa

Alguns têm orientado aqueles sob sua "autoridade" para ler somente a primeira metade do livro do irmão Nee, que aborda submissão, e não ler a segunda metade, que trata do tema sobre autoridade, dizendo que a segunda metade do livro, sobre autoridade, não se aplica a eles. Isso é enganoso porque a segunda metade do livro mostra como reconhecer a genuína autoridade espiritual e também estabelece os limites da obediência à autoridade.

O verdadeiro motivo para essa orientação enganosa é que ler a comunhão do irmão Nee sobre o que significa ter autoridade espiritual vai expor a falta de genuína autoridade da parte daqueles que se vangloriam. Na verdade, um conhecimento adequado da natureza da autoridade espiritual e de como ela é manifestada é crucial para discernir quem realmente tem essa autoridade e quem meramente proclama tê-la.

Duas Distinções Cruciais

Uma compreensão adequada sobre autoridade requer que façamos duas distinções básicas: a distinção entre autoridade oficial e espiritual e a distinção entre obediência e submissão.

A Distinção entre Autoridade Oficial e Autoridade Espiritual

Ao ponderar sobre autoridade, é crucial que distingamos entre autoridade oficial e autoridade espiritual. Autoridade oficial é baseada na posição oficialmente reconhecida de alguém numa organização. Na sociedade humana, juízes e policiais têm certa autoridade baseada em sua posição. Na igreja, entretanto, a genuína autoridade não é baseada em posição, antes, é espiritual na origem e na aplicação. Não há autoridade oficial na igreja ou na obra.

Ef 4:15-16 - [15] Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, [16] de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

Cl 2:19 - E não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.

... Qual é o significado de autoridade oficial? Significa que porquanto um homem tem um cargo, ele então exerce autoridade. A autoridade é exercida somente por causa do cargo que ele ocupa. Enquanto o ocupante retiver sua posição, exercerá sua autoridade, mas tão logo ele renunciar ao cargo, sua autoridade cessará. Tal autoridade é totalmente objetiva; não é inerente ao homem em si...

Em grupos de cooperadores divinamente constituídos, entretanto, não há organização. A autoridade é exercida entre eles, no entanto essa autoridade é espiritual, não oficial. É uma autoridade baseada em espiritualidade, autoridade que é o resultado de um conhecimento profundo do Senhor e uma íntima comunhão com Ele. A vida espiritual é a fonte de tal autoridade. O motivo de Paulo poder liderar outros não foi por causa de sua posição superior, mas de sua espiritualidade maior. Se ele tivesse perdido sua espiritualidade, perderia sua autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 30, p. 124)

Efésios 4:15-16 mostra que a Cabeça exerce autoridade sobre o Corpo mediante o suprimento de vida dispensada nos membros e por intermédio deles. O Corpo está unido à Cabeça. À medida que os membros crescem em Cristo, a Cabeça, o suprimento de vida da Cabeça flui por todos os membros para edificar o Corpo. Essa vida fluindo é a administração de Deus para encabeçar todas as coisas em Cristo. A autoridade da Cabeça é levada a todos os membros do Corpo pela comunhão de vida. Assim, a autoridade no Novo Testamento não é uma questão objetiva, exigindo mera obediência exterior para com alguém que mantém certa posição na igreja.

No passado a autoridade era por demais objetiva para muitos, e submissão também era. Temos tentado aplicar a submissão exterior a um corpo subjetivo. Hoje, a autoridade se tornou uma questão de vida. Em outras palavras, tornou-se uma questão interior. No Corpo de Cristo, autoridade e submissão se encontram no único Corpo e ambas se tornaram subjetivas, vivas e unidas. Essa é a mais alta expressão da autoridade de Deus. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 176)

A maneira de prosseguir hoje é viver a vida do Corpo, onde autoridade é complementada por amor e coordenação mútuos. Uma vez resolvido o problema, todos os demais são resolvidos. No passado a verdade sobre autoridade e submissão era objetiva e impessoal. Autoridade era objetiva e também a submissão. Autoridade era impessoal e também a submissão. Submetemo-nos a coisas exteriores de uma forma exterior. Hoje, autoridade e submissão têm de se tornarem orgânicas; têm de se tornar interiores e subjetivas. No Corpo de Cristo, isto é, na igreja, autoridade e submissão se encontram no mesmo lugar. As duas se tornam uma totalidade subjetiva e viva. Autoridade e submissão se tornam uma entidade viva, uma unidade em vida. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, pp. 176-177)

O irmão Lee ensinou veementemente que ninguém devia ser visto como o líder da restauração do Senhor.

Fiquei com o irmão Nee por muitos anos. Nunca o consideramos o líder oficial e ele nunca se considerou dessa maneira. Sempre que alguém pensava no irmão Nee como o líder e chegava até ele em busca de instruções, ele nunca dizia uma palavra. Somente quando uma pessoa vinha até ele para comunhão ele se abria para compartilhar algo. Ele jamais assumiu ser o líder oficial. Igualmente, não considero eu mesmo o líder oficial na restauração do Senhor hoje. (Truth Messages, p. 32)

A liderança está relacionada com a condição do relacionamento de um membro com Cristo, o Cabeça, que significa que isso também não é permanente.

At 13:2 - E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado.

At 13:9 - Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos.

Na economia neotestamentária de Deus, a liderança entre Seus filhos não é oficial, permanente ou organizacional; antes, Ela depende da capacidade espiritual. Aquele com a maior capacidade será o líder. Numa hora, aquela liderança poderá estar com determinado irmão, mas noutra com um irmão diferente. No dia de Pentecostes, a maior capacidade estava com Pedro, mas em Atos 15 estava com Tiago.

O relacionamento entre Barnabé e Paulo mais adiante, ilustra esse princípio. Atos 13:2 diz: "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado." Aqui vemos que Barnabé é nomeado antes de Paulo (Saulo). Mas quando eles estavam em sua missão, Paulo espontaneamente assumiu a liderança (At 13:9) porque tinha maior capacidade espiritual. (Leadership in the New Testament, p. 9)

Assim como a autoridade espiritual pode ser ganha por um aumento na estatura espiritual de alguém, também pode ser perdida pelo decréscimo da capacidade espiritual do mesmo.

At 15:13 - Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras.

Gl 2:9a - E, quando conheceram a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas...

No início da vida da igreja, o líder era Pedro. Ele assumiu a liderança para pregar o evangelho. Mais tarde, Pedro e João desceram até Samaria (8:14). Pedro também foi à casa de Cornélio. Depois da casa de Cornélio, aparentemente Pedro pouco a pouco perdeu sua posição líder na igreja. Em Atos 12 a igreja experimentou grande perseguição. Um dos doze apóstolos, o outro Tiago, foi morto. Pedro foi aprisionado. Foi nessa conjuntura que Tiago se levantou e Pedro perdeu sua posição líder. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 62, p. 398)

Quando Pedro se levantou com os onze no dia de Pentecostes, ele era forte como um leão. Entretanto, em Gálatas 2 ele agiu covardemente porque quando os irmãos vieram da parte de Tiago, Pedro recusou-se a comer com os gentios. (...) Quando Paulo viu que Pedro e os demais não andavam corretamente segundo a verdade do evangelho, ele o repreendeu na frente de todos (Gl 2:14). Por meio de sua fraqueza, Pedro estava prejudicando a verdade do evangelho, a verdade que tanto os crentes gentios como os crentes judeus eram iguais. Isso indica que em Gálatas 2 a capacidade espiritual de Pedro tinha diminuído. (Truth Messages, p. 29)

A Autoridade no Corpo de Cristo não é organizacional. Não há um organograma com Deus no topo, depois Cristo, depois "o apóstolo", depois os presbíteros e lá em baixo os santos. Esse é o conceito e prática do homem, natural, humano, caído e organizacional. Quando introduzido na igreja ou na obra, esse conceito se torna herético.

A Distinção Entre Submissão e Obediência

Se quisermos compreender adequadamente a autoridade espiritual e sua aplicação no Corpo de Cristo, precisamos também distinguir entre submissão e obediência. Submissão e obediência são duas coisas distintas. Submissão é uma questão de atitude, ao passo que obediência é uma questão de comportamento.

Que significa submeter-se? Submissão é uma questão de atitude, uma questão do espírito. Que significa obedecer? A obediência é uma questão da consciência, de comportamento exterior. Submissão é interior, ao passo que obediência é exterior. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 38, p. 526)

Quando um "líder" nos pede algo que é contrário à verdade, não podemos obedecer, mas ainda temos de manter uma atitude submissa.

Temos de diferenciar entre submissão e obediência. Submissão é uma questão de motivo e atitude interiores, ao passo que obediência é uma questão de ação e atividade exteriores. Segundo a Palavra de Deus, devemos ser absolutos e incondicionais em nossa submissão, mas relativos e condicionais em nossa obediência. Em Atos 5:29, Pedro disse: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens." Se alguém em posição de autoridade quer que pequemos, temos de ser submissos na atitude, mas não devemos obedecer. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 231)

Às vezes obediência à autoridade delegada pode chocar-se contra a autoridade direta de Deus. Quando isso acontece, precisamos obedecer a Deus em vez de ao homem, ainda que precisemos manter uma atitude de submissão. Como o irmão Nee diz:

Quando a autoridade delegada (o que representa a autoridade de Deus) choca-se com a autoridade direta (Deus), a pessoa tem de ser submissa à autoridade delegada, mas não deve ser obediente a ela. Vamos resumir a questão em três pontos:

(1) Obediência é uma questão de conduta; é relativa. Submissão é uma questão de atitude; é absoluta.

(2) Apenas Deus é objeto de submissão irrestrita. O homem, que é menos que Deus, deve apenas receber submissão limitada.

(3) Se a autoridade delegada der uma ordem que é obviamente contrária à ordenação de Deus, nós podemos apenas nos submeter; não podemos obedecer. Devemos nos submeter somente à autoridade de Deus. Não devemos obedecer a ordens que são contrárias à Deus.
(The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 200)

A Importância de Ser Correto em Seguir os Outros

É algo sério diante do Senhor a quem seguimos e como os seguimos. É por isso que o irmão Lee fez um forte apelo aos santos para serem corretos ao seguirem os outros.

Se seguir a pessoa errada, você vai prejudicar a si mesmo e vai prejudicar aquela pessoa. Isso feito de uma forma errada constitui uma destruição para aquele a quem você segue. (Uma Palavra de Amor, aos Cooperadores, Presbíteros e a todos Aqueles que Amam e Buscam ao Senhor, p. 71)

Você nunca deve tentar fazer com que pessoas sigam você. Isso é a serpente. Não ajuda você; pelo contrário, prejudica. Isso também significa que você nunca deve seguir qualquer pessoa; simplesmente siga o Senhor segundo Sua Palavra e siga a visão celestial. (Uma Palavra de Amor, aos Cooperadores, Presbíteros e a todos Aqueles que Amam e Buscam ao Senhor, p. 81)

Exemplos Bíblicos

A Bíblia está repleta de exemplos que mostram que se aquele a quem seguimos está correto ou não diante do Senhor, isso vai desempenhar um papel importante em nosso futuro com Ele. A quem seguimos é responsabilidade nossa. Não é verdade que somente a autoridade delegada será responsabilizada pelo seu erro. Aqui estão alguns exemplos notáveis no Antigo Testamento:

Igualmente, o Novo Testamento proporciona exemplos solenes da conseqüência de seguir a pessoa erroneamente:

Os Erros de um Líder não É tão Sério como um Desvio

Muitos irmãos, inclusive alguns nas igrejas na restauração do Senhor, têm usado erroneamente a afirmação do irmão Nee acerca de Moisés:

Deveríamos ser confiantes em submeter-nos à autoridade que Deus em confiança estabeleceu. Se acontecer algum erro, não será erro nosso, mas da autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 163)

Aqueles que reivindicam autoridade freqüentemente abusam dessa afirmação para silenciar a consciência dos crentes ou seu sentimento interior da unção. O que Watchman Nee disse é verdade. Moisés cometeu um erro, mas isso não afetou sua posição como autoridade delegada por Deus. Em seu erro Moisés não se desviou da verdade e não se rebelou contra Deus. Se ele tivesse feito uma dessas coisas, teria perdido sua posição como representante de Deus. Como mostram os exemplos na seção anterior, a Bíblia é mais que clara em mostrar que se seguirmos alguém que se desvia da verdade, vamos ser prejudicados e sofreremos perda.

Veja a história do inimigo de Deus, Satanás. A ele foi dada autoridade por Deus, mas ele se rebelou. Essa rebelião fez com ele perdesse sua posição como o representante da autoridade de Deus no universo (Ez 28:14, 17). A Bíblia nos mostra claramente que aqueles que o seguiram vão partilhar do seu destino (Mt 25:41; Ap 20:10, 15).

Mt 25:41 - Então, o Rei dirá também aos que estiverem à Sua esquerda: Apartai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, 2preparado para o diabo e seus anjos.

nota de rodapé 25:412 - O lago de fogo foi preparado para o diabo e seus anjos, não para o homem. Entretanto, se qualquer homem seguir o diabo em opor-se ao Senhor, vai partilhar o lago de fogo com o diabo e os anjos caídos.

Seguir aqueles que se rebelam por buscar estabelecer sua própria autoridade é uma grande perda. Se a exigência por obediência for seguida até extremos (como tem sido o caso em alguns lugares), ninguém jamais vai se sentir livre para deixar uma seita porque aqueles que detêm a "autoridade" ali vão proibir isso. Ao deixarmos as seitas, seguimos a Cristo e não ao homem. Ao nos separarmos do sectarismo daqueles em nosso meio que se afastam da verdade, devemos seguir o mesmo princípio.

Seguir segundo a Visão

O irmão Lee freqüentemente se referia a uma conversa que teve com Watchman Nee numa época de tumulto. Essa conversa apresenta um padrão de como devemos seguir o ministério:

Em 1934 houve um distúrbio na igreja em Xangai, dirigido principalmente contra o irmão Nee. Naquela época, assegurei-lhe que eu o seguiria completamente, não por causa de quem ele era, mas por causa do ensinamento e revelação que ele introduzira na restauração do Senhor. O irmão Nee e eu não tínhamos nos conhecido antes; não tínhamos afeição pessoal. Ele tomou a iniciativa e eu o segui porque ele tinha a revelação em seu ensinamento e mantinha essa revelação. Também lhe disse que se um dia ele se desviasse da revelação que nos passara, eu ainda seguiria a revelação, mas não mais o seguiria. (Leadership in the New Testament, p. 47)

Seguir corretamente, segundo o Novo Testamento, não é seguir um homem, mas seguir o ensinamento dos apóstolos, que é a revelação do Novo Testamento inteiro. Isso é seguir a visão celestial (At 26:19).

At 26:19 - Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.

Discernir Autoridade Espiritual

Se quisermos seguir o Senhor segundo a visão celestial, precisamos ser capazes de discernir que pessoas representam Deus em sua pessoa e em seu exercício de autoridade. Isso requer que compreendamos:

A Natureza da Autoridade Espiritual

Para compreender a natureza da autoridade espiritual, precisamos compreender os quatro princípios seguintes:

A Fonte da Autoridade—A Vida de Ressurreição

A fonte da autoridade espiritual é vida. Quando o homem é mencionado pela primeira vez em Gênesis 1:26, primeiro é citado o homem sendo criado à imagem de Deus; depois, que a ele foi dado domínio. A imagem de Deus é uma questão de vida, enquanto que o domínio de Deus é uma questão de autoridade. Vida vem primeiro, depois autoridade. Primeiro temos a vida de Deus. Essa vida nos capacita a expressá-Lo e representá-Lo com Sua autoridade.

Gn 1:26 - Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.

Que é autoridade? Superficialmente falando, autoridade está baseada numa posição. Quem tiver posição terá autoridade. Segundo a Bíblia, esse também parece ser o caso, mas na verdade não é bem assim. A autoridade não é principalmente uma questão de posição, mas uma questão de vida. Quando o povo de Israel viu o bordão que floresceu de Arão, eles reconheceram sua autoridade. Sem a vida de ressurreição, a autoridade é inútil. A autoridade na igreja não é principalmente uma questão de posição, mas de vida. Você não se torna uma autoridade por intermédio de eleição de outros e ninguém pode reivindicar autoridade baseado somente em sua posição na igreja. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 38, p. 429)

A manifestação da autoridade em vida é ressurreição. Depois de julgar a rebelião de Coré, Deus instruiu o líder de cada tribo para trazer um bordão a ser colocado durante a noite toda no tabernáculo, dizendo: "O bordão do homem que eu escolher, esse florescerá." (Nm 17:5a). A manifestação de que Arão era o escolhido por Deus foi que seu bordão, uma vara morta como as demais, floresceu. Assim, a autoridade não está no bordão, mas em seu florescimento com vida de ressurreição.

Todo aquele que é uma autoridade deve conhecer isso; não há como se enganar. Não pode haver confusão quanto à autoridade. A autoridade vem de Deus e não de nós. Somos apenas aqueles que mantêm a custódia da autoridade. Somente aqueles que viram isso estão qualificados para ser uma autoridade delegada. Irmãos e irmãs, quando vocês saem para trabalhar, espero que nenhum de vocês seja tão tolo a ponto de pensar que tem qualquer autoridade em si mesmo. Tão logo você ofenda o princípio de ressurreição, você perde a autoridade; e tão logo você tente exibir sua autoridade, você instantaneamente a perde. Um bordão ressequido não pode exibir nada exceto morte, mas quando você tem ressurreição tem autoridade, porque ela existe junto com a ressurreição, não com a vida natural. Tudo que temos é natural. Daí a autoridade não repousar em nós, mas no Senhor. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 250-251)

Essa relação entre vida e autoridade ainda se aplicará na Nova Jerusalém.

Apocalipse 20:4 diz que é a vida de ressurreição vencedora que introduz os crentes a reinar com Cristo no milênio. A vida de ressurreição nos introduz na realeza com Cristo, porque ela procede do trono de Deus. O trono de Deus representa autoridade. Vemos uma figura disso em Apocalipse 22:1, onde a água da vida procede do trono de Deus. Portanto, autoridade e vida são mutuamente relacionadas. O rio da vida está relacionado com o trono de Deus. Se tivermos o trono de Deus como nossa fonte, estaremos na água da vida. Se estivermos na água da vida, ela nos levará ao trono de Deus, dando-nos a autoridade que procede do Seu trono. A vida nos traz autoridade. Todos devemos ver que para representar Deus é preciso a Sua vida. (Estudo-Vida de Gênesis, pp. 145-146)

A Base da Autoridade—A Revelação

Enquanto que a vida de ressurreição é a fonte da autoridade, a base dela é revelação.

Rm 16:25 - Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos.

Ef 3:3 - Pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente.

... O valor de um homem diante do Senhor não é baseado na avaliação de outros sobre ele nem em sua própria avaliação de si mesmo. O valor de um homem diante do Senhor é baseado na revelação. Revelação é o padrão da medida e avaliação de Deus. O estabelecimento da autoridade é baseado na revelação de Deus e Ele avalia uma pessoa com base na revelação. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 228)

Revelação é a base da autoridade. Devemos aprender a não lutar por nós mesmos ou falar por nós mesmos. Não devemos ser como Arão ou Miriam, clamando por autoridade. Se depois de sair daqui você lutar por autoridade, isso vai provar que está na carne e em trevas. Também vai provar que não viu nada aqui no monte. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 229)

A própria autoridade do Senhor foi evidenciada pelo Seu ensinamento (Mc 1:22). A revelação da economia de Deus aos apóstolos foi a fonte de sua autoridade (Rm 16:25; Ef 3:3). Os obreiros no Novo Testamento têm autoridade somente quando desvendam a revelação da economia neotestamentária de Deus segundo o ensinamento dos apóstolos.

A Evidência da Autoridade—Introduzir Luz

A evidência de que tocamos autoridade numa pessoa é que somos introduzidos na luz. Isso é porque quando tocamos uma pessoa que está debaixo da autoridade de Deus, tocamos alguém vivendo na presença Dele e o próprio Deus é luz (1Jo 1:5).

1Jo 1:5 - Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.

Onde quer que Deus esteja em autoridade, ali também existe luz. Por outro lado, onde quer que haja confusão, ali também existe trevas. Quando a autoridade de Deus for exercida numa igreja local, tal igreja estará plena da luz divina. Se Deus não está no trono, se Ele não está em autoridade, Ele não pode brilhar, e não haverá nenhuma luz. Se todos dermos lugar a Deus em Cristo, de modo que Ele possa exercer Sua autoridade, se todos estivermos dispostos a sujeitarmos a Ele, tudo em nosso meio estará cheio de luz. (A Visão do Edifício de Deus, p. 218)

O apóstolo Paulo era tal pessoa. Ele foi comissionado pelo Senhor para converter o povo das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus (At 26:18).

At 26:18 - Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.

Os apóstolos se conduziam para resplandecer o evangelho pela manifestação da verdade em seu viver (2Co 4:2). Porquanto eles mesmos estavam na luz, podiam introduzir os demais na comunhão com Deus (1Jo 1:3, 5; 2Co 4:6) e trazer à luz a economia do mistério (Ef 3:9).

2Co 4:2 - Pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.

2Co 4:6 - Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo.

1Jo 1:3 - O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

1Jo 1:5 - Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.

Ef 3:9 - E manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas.

Autoridade no Novo Testamento não é uma questão de governar sobre os outros, mas de resplandecer Deus como luz. Mesmo na Nova Jerusalém Deus reina resplandecendo como luz.

Ap 21:23-24 - [23] A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. [24] As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória.

Ap 22:1 - Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.

Ap 22:5 - Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos.

Deus em Cristo é o centro da Nova Jerusalém como o vaso divino. Podemos também dizer que Cristo como a expressão de Deus é o centro desse vaso divino corporativo. No quadro da Nova Jerusalém, o Deus invisível é comparado à luz que brilha com glória (21:11, 23; 22:5). Quando a luz brilha, ela faz uma obra. A luz é um poder governante; ela governa enquanto brilha. (The Central Thought of God, p. 115)

Esse quadro é muito significativo. Deus como luz está em Cristo como o Redentor e o trono de Deus em Cristo é o exercício de Sua autoridade. Desses três: luz, redenção e autoridade, advêm todas as coisas. Se tivermos Deus como luz no Cristo redentor para exercer Sua autoridade entre nós hoje na igreja, então teremos tudo. Teremos a árvore da vida, o rio fluindo com a água viva, a rua da vida e a cidade de ouro, as pérolas como portas e as pedras preciosas como os fundamentos. Teremos tudo. Todos os aspectos da igreja e todas as suas riquezas advêm de Deus como luz no Cristo redentor exercendo Sua autoridade. (The Central Thought of God, pp. 117-118)

A genuína autoridade espiritual introduz a luz da presença de Deus. Uma pessoa com autoridade espiritual não regula as pessoas diretamente dizendo-lhes o que fazer. A autoridade governante advém do brilho interior do próprio Deus em cuja presença fomos introduzidos.

O Resultado da Autoridade—Alegria e Florescimento

A genuína autoridade produz um tipo específico de fruto: alegria e florescimento. Em 2 Coríntios 1:24 Paulo diz que a autoridade dos apóstolos sobre a igreja não era uma questão de senhorio sobre a fé dos crentes, mas de serem cooperadores com eles para sua alegria. Isso mostra que o resultado adequado do exercício da autoridade não é controle, mas a alegria dos crentes em sua fé.

2Co 1:24 - Não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados.

Além disso, a narrativa da vara de Arão mostra que a expressão de sua autoridade residia em sua vara morta brotando, florescendo e dando amêndoas.

Nm 17:8 - No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que o bordão de Arão, pela casa de Levi, brotara, e, tendo inchado os gomos, produzira flores, e dava amêndoas.

A liderança entre povo de Deus é diferente daquela encontrada entre os gentios. Todos os reis gentios usam suas varas para governar. Nenhuma vara entre os líderes gentios é útil para alimentação, porque nenhuma de suas varas é viva. Toda vara é apenas um pedaço de madeira morta. Apenas com a liderança adequada entre o povo de Deus é que pode haver uma vara brotando a vida de ressurreição e dando fruto para alimentar os outros.

A amendoeira é a primeira árvore a florescer no ano, florescendo em janeiro ou fevereiro. O primeiro fruto que vem de uma árvore é a amêndoa. Isso simboliza a ressurreição. Portanto, a vara que brota, floresce, frutifica, simboliza a vida de ressurreição de Cristo. A liderança entre os filhos de Deus deve ser o próprio Cristo como vida de ressurreição que brota, floresce e dá amêndoas para alimentar o povo de Deus. (Estudo-Vida de Hebreus, p. 794)

Ter autoridade não é uma questão do que podemos fazer, é uma questão do quanto florescemos. Você pode fazer muito, mas não há florescimento. Em vez de brotar, você morre; em vez de florescer, você mata os outros; em vez de dar frutos, você amortece a todos que lhe contatam. Isso prova que você não tem a autoridade. Contudo, se você tem a vara que floresceu e um morto lhe contatar, ele será avivado. Isso prova que você tem a autoridade. A autoridade não está em nossa capacidade ou habilidade. A verdadeira vindicação está em nosso florescer, não em nosso fazer. Fazer nada significa, mas florescer significa tudo. Em nossa vida da igreja e no serviço na igreja, todos devemos brotar, florescer, e produzir amêndoas. Essa é nossa necessidade hoje. (Estudo-Vida de Hebreus, p. 811)

A autoridade no mundo faz exigências. Ela põe pessoas sob pesados fardos e obrigações. A autoridade espiritual nos introduz no contato com Deus que é vida e luz. Esse contato gera o fruto de alegria e florescimento.

Sinais de Autoridade Espiritual

Não devemos presumir que aqueles em autoridade posicional na igreja são os que têm autoridade espiritual, embora isso devesse ser o normal e é certamente nossa esperança e desejo que fosse esse o caso. É importante saber como discernir adequadamente a autoridade espiritual se quisermos seguir o Senhor. Por esse motivo, devemos considerar alguns indicadores para ver se uma pessoa tem ou não autoridade espiritual. Esses indicadores incluem:

Obediência É um Pré-Requisito para Autoridade

Um requisito básico para ser uma autoridade delegada é obediência à autoridade.

Tudo sobre autoridade delegada depende do tipo de obediência que alguém presta às outras autoridades sobre ele. Não devemos ter qualquer anseio de ser uma autoridade delegada ou qualquer expectativa de que os outros nos obedeçam. Devemos somente esperar obedecer aos outros. A obediência deve ser nossa própria natureza. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 205)

Hoje, se alguém disser que não responde para ninguém exceto a Deus diretamente, esse não está debaixo de autoridade. Na era do Novo Testamento, a autoridade é uma questão pertinente ao Corpo.

Nenhum filho de Deus deve violar a lei do Corpo de Cristo e agir individualmente. Todos os atos independentes são expressões de rebelião. Outra palavra para rebelião é ação independente. Agir individualmente é agir de modo contrário à autoridade. Isso significa não se submeter à autoridade da Cabeça, não se submeter ao princípio da unidade com Deus ordenada na Bíblia e não se submeter à lei da unidade que Deus ordenou na Bíblia. Individualismo é rebelião não só contra o Corpo, mas também contra o Senhor. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 893)

Somos cautelosos para com aqueles que agem individualmente, aqueles que não são restringidos pelo Corpo, que agem segundo sua própria vontade e nunca aprenderam a ficar debaixo da autoridade da Cabeça. Depois de crermos no Senhor, o primeiro princípio espiritual que devemos ter em mente é que o Corpo é a autoridade ordenada por Deus sobre a terra. O Corpo é a autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 896)

Se um irmão rejeita toda comunhão com os outros e se coloca como "a autoridade", quer numa igreja local ou numa "região da obra", ou na igreja universal, esse irmão não estará debaixo do encabeçamento de Cristo em Seu Corpo. Se um irmão for elevado para ser "o apóstolo" de forma a ter a liberdade de levar a cabo uma obra independente, fora da comunhão comum dos cooperadores, sua obra é na verdade uma rebelião contra o encabeçamento de Cristo.

O motivo de eu mencionar essa questão agora é que nesses últimos anos alguém presumiu ser o líder da restauração do Senhor, não só neste país, mas no mundo inteiro. Se os santos tiverem clareza quanto à verdade acerca de liderança e tiverem praticado a verdade, ninguém vai aceitar tal reivindicação. Se tivermos clareza sobre a verdade e sua prática, doravante ninguém vai ousar dizer que é o líder. (Truth Messages, p. 31)

Um Céu Claro

Um segundo sinal de que um grupo de líderes tem autoridade espiritual é que estão sob um céu claro. Isso quer dizer que eles mesmos têm consciência pura e sem ofensa e estão vivendo debaixo do governo do trono do Senhor.

Ez 1:22 - Sobre a cabeça dos seres viventes havia algo semelhante ao firmamento, como cristal brilhante que metia medo, estendido por sobre a sua cabeça.

Ez 1:26 - Por cima do firmamento que estava sobre a sua cabeça, havia algo semelhante a um trono, como uma safira; sobre esta espécie de trono, estava sentada uma figura semelhante a um homem.

Não devemos falar sobre autoridade de maneira humana ou natural. Na igreja não há autoridade humana. A autoridade na igreja é o trono sobre um céu claro.

Suponha que os irmãos líderes ou os presbíteros numa igreja local não estejam sob um céu claro e ainda assim exercem autoridade baseada em sua posição. Esse tipo de exercício de autoridade não funciona porque não tem peso nem governo; não há o trono num céu claro. Entretanto, suponha que os líderes e os presbíteros estejam continuamente debaixo de um céu claro, tendo consciência de que é puro e sem ofensa. Se for essa a situação deles, eles estarão debaixo do trono celestial e com eles haverá algo de peso e de autoridade. Assim, não haverá necessidade deles reivindicarem autoridade sobre os santos.

Reivindicar autoridade sobre os santos indica que alguém não tem autoridade nenhuma. Enquanto estamos debaixo de um céu claro com o trono acima dele, não há necessidade de reivindicarmos ter autoridade porque ela simplesmente está lá. Nunca devemos tentar colocar os outros sob nossa autoridade. Isso é uma hierarquia, algo típico de organizações. Não devemos tentar governar sobre os santos; em vez disso, devemos nos humilhar e permanecer debaixo do trono no céu claro.

É vergonhoso alguém reivindicar ser a autoridade numa igreja local. Não há tal coisa! Na igreja não há autoridade humana. O Senhor Jesus disse: "Sabeis que os governantes dos gentios senhoreiam sobre eles, e sobre eles os grandes exercem autoridade. Não será assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso escravo" (Mt 20:25-27 [lit.]). Em Mateus 23:11, Ele disse: "Mas o maior dentre vós será vosso servo." Essa é a maneira de ter autoridade. A autoridade não é minha nem sua nem dos outros. A única autoridade é o trono acima de um céu claro. (Life-study of Ezekiel, p. 116-117)

A Presença e Testemunho do Espírito

No Corpo de Cristo, somente o Senhor como o Espírito é autoridade. A autoridade de Cristo, o Cabeça, é transmitida para dentro e através do Corpo pelo Espírito. Somente uma pessoa que é uma com o Senhor no espírito mesclado tem autoridade, porque pode transmitir a presença do Espírito e Ele vai testemunhar somente com tal pessoa.

Mt 12:28 - Se, porém, Eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então é chegado o reino de Deus sobre vós.

Na igreja não há autoridade humana, mas há somente a autoridade do Espírito Santo. A igreja está aqui na terra há um longo tempo, mas Deus nunca confiou seu serviço a qualquer indivíduo humano. Na igreja, nem mesmo os presbíteros são a autoridade. Você não é a autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 62, p. 285)

Entretanto, a Cabeça governa o Corpo mediante o Espírito Santo. Hoje, a manifestação prática da autoridade está no Espírito Santo. O Senhor está governando Seu Corpo por intermédio do Espírito Santo. Autoridade não é uma coisa; o Senhor não deu a Pedro um pacote de autoridade e lhe pediu para voltar pegar mais quando tivesse usado todo o pacote. Autoridade é o próprio Senhor. A autoridade que foi manifestada em Paulo, João e Pedro foi algo dado pelo Espírito Santo. O Espírito Santo coordenou esses homens juntos em diferentes lugares. Autoridade é uma questão de ser um com o Senhor. O princípio subjacente à autoridade é a unidade com o Senhor. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 57, p. 126)

... Em outras palavras, a única autoridade na igreja é aquela do Espírito Santo. Não há autoridade proveniente de indivíduos. Os presbíteros não têm autoridade, os irmãos mais velhos não têm autoridade e os espirituais também não têm autoridade. Somente o Espírito Santo tem. Isso é chamado de o Corpo de Cristo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 55, p. 151)

Gostaria de dizer uma palavra aos presbíteros acerca de sua autoridade: Temos de ter a compreensão básica de que não há autoridade dentro de nós mesmos. A autoridade no Corpo de Cristo é Cristo, a Cabeça. É o Espírito Santo que está operando no Corpo. Por isso, somente o Espírito Santo é a autoridade. O Espírito Santo é a autoridade de Cristo no Seu Corpo. De onde provém a autoridade dos irmãos responsáveis? Não pense que enquanto uma pessoa é presbítero, ela tem autoridade. Temos de saber e compreender o que é autoridade. Somente aqueles que compreendem a autoridade, a têm. Se os presbíteros não compreendem autoridade, eles não estão qualificados para serem presbíteros e não estão aptos para serem autoridade. Não temos qualquer autoridade em nós mesmos. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 61, p. 215)

Estar no espírito é estar na presença de Deus, é permitir que Deus governe dentro de nós. Uma vez que estejamos no espírito, não há necessidade mais de ser uma autoridade porque nos tornamos uma automaticamente. Onde há a presença de Deus, aí há autoridade. Nunca se esqueça de que autoridade é simplesmente o próprio Deus. Sem a presença de Deus, perdemos essa autoridade. Daí, o tempo todo temos de aprender a viver no espírito, a tocar no espírito, a tocar a sensação do espírito, a agir e falar no espírito. (The Elders' Management of the Church, p. 93)

Quando uma pessoa nos toca, ela não deve tocar a autoridade como uma coisa; antes, deveria haver a presença do Senhor como o Espírito testemunhando conosco que somos um com Ele. Qualquer alegação de autoridade fora da unidade com o Senhor como o Espírito é falsa e deve ser rejeitada.

A Maneira Adequada de Ser uma Autoridade

Assim como a natureza da autoridade espiritual e os sinais de autoridade não são segundo o conceito natural do homem, também a maneira de ser uma autoridade é totalmente diferente da maneira que esta é exercida na sociedade humana. A maneira de ser uma autoridade no Corpo de Cristo e em sua manifestação prática como igrejas locais é não exercê-la, mas servir os santos como escravos em amor no fluir de vida apascentando, alimentando e protegendo o rebanho.

Não Exercer Autoridade

Num trecho marcante de The Elders' Management of the Church, o irmão Lee explica que a maneira adequada de ser uma autoridade é não exercê-la:

É uma coisa lamentável e também vergonhosa que em algumas igrejas locais haja presbíteros que aparentemente não são a autoridade, mas que na realidade exercem muita autoridade. Exteriormente, eles agem de forma bem democrática, mas na verdade mantêm a autoridade nas mãos. Isso é uma coisa vergonhosa. Se você e eu vamos ser presbíteros e temos de supervisionar a igreja, temos de aprender por um lado a nos submeter à autoridade, e, por outro, a ser a autoridade delegada de Deus. Ao mesmo tempo, não devemos exercer autoridade. Você não deve dizer que uma vez que é um presbítero, o que diz tem de ser levado em consideração e o que decide tem de ser realizado. Se não exercer sua autoridade, na realidade a autoridade estará lá. Isso parece ser uma contradição. Como pode alguém ser uma autoridade sem exercê-la? E como pode uma pessoa não exercer autoridade enquanto ao mesmo tempo é a autoridade? Entretanto, creio que os irmãos e irmãs sabem o que isso significa na experiência prática. Não há nada de contraditório aqui. Se você não tem clareza sobre isso, veja a história de Moisés outra vez. Ele era uma autoridade delegada. Ele se submetia à autoridade e agia também como autoridade. Mas muitas vezes, quando via uma dificuldade, ele se submetia a Deus e não exercia sua autoridade. O fato de não exercer autoridade era sua maneira mais digna de exercê-la. Somente quando alguém se submete à autoridade na igreja e somente quando está sendo uma autoridade também é que ele pode aplicar sua autoridade refreando-se de exercê-la. Creio que os irmãos e irmãs compreendem o que quero dizer. Essa é a condição adequada de um presbítero. (The Elders' Management of the Church, pp. 84-85)

O irmão Lee repetiu isso categoricamente em suas mensagens sobre Ezequiel:

Gostaria de lembrar todos os amados que arcam com responsabilidades nas igrejas locais a nunca exercerem sua autoridade. Precisamos perceber que nenhum de nós tem qualquer autoridade. (Life-study of Ezekiel, p. 118)

É um erro sério exercer autoridade sobre os outros na igreja. Nada é mais vergonhoso que isso. Exercer autoridade sobre os santos não é glorioso, mas vergonhoso. (Life-study of Ezekiel, p. 119)

É a obediência de nossa parte que dá ao Senhor a base para estabelecer Sua autoridade (2Co 10:6).

Como um Escravo

O status de alguém em autoridade no Corpo de Cristo não é de ser exaltado, mas ser um escravo.

Mt 20:25-27 - [25] Mas Jesus, chamando-os a Si, disse: Sabeis que os governantes dos gentios senhoreiam sobre eles, e sobre eles os grandes exercem autoridade. [26] Não será assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; [27] e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso escravo (lit.).

Rm 1:1 - Paulo, escravo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus (lit.).

Alguns presbíteros têm orgulho de sua posição e esperam que os santos lhes dêem lugar. Outros irmãos têm a ambição de se tornar presbíteros. Não há lugar para tal ambição na vida da igreja. Se conhecermos a Bíblia, perceberemos que um presbítero é um servo. O conceito de nível hierárquico deve ser eliminado. Apóstolos e presbíteros não são altos oficiais. Antes, são os que servem Cristo às igrejas e aos santos. (Estudo-Vida de Efésios, p. 411)

Controlar, repreender, condenar e criticar são coisas totalmente organizacionais. Ainda me lembro do que compartilhei em 1976 quando estávamos no Estudo-Vida de Mateus. Quando estávamos abordando Mateus 20 e 23, exortei os presbíteros a não controlar as igrejas. O Senhor Jesus nos disse que somos todos irmãos no mesmo nível (23:8). Ele é o único Senhor e Mestre em nosso meio (v. 10). Uma vez que um irmão se torne um presbítero, ele é um escravo para os santos na igreja e sua esposa se torna a esposa de um escravo. O presbiterado não é uma questão de posição num sentido hierárquico. Isso é totalmente organizacional. (Elders' Training, Book 9: The Eldership and the God-ordained Way (1), p. 73)

Os presbíteros nas igrejas precisam perceber que se não estiverem dispostos a serem escravos, não podem ser presbíteros adequados. Todos os presbíteros devem ser escravos. Foi por essa razão que o Senhor Jesus ensinou Seus discípulos a não buscarem estar acima dos outros, mas a se colocarem abaixo deles e serem seus escravos. Na vida da igreja não existe posição. Todos nós somos irmãos e todos devemos servir como escravos. (Life-study of Exodus, p. 811)

Em Amor

Ef 5:25 - Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.

Cl 1:24 - Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.

Em Efésios 5 Paulo diz que as esposas devem se submeter aos maridos e os maridos devem amar as esposas. Em nenhum lugar Paulo diz aos maridos que devem exercer autoridade sobre suas esposas; antes, ao dizer aos maridos que amem suas esposas, Paulo se refere ao exemplo de Cristo amando a igreja e dando a Si mesmo por ela. Cristo tornou-se o Cabeça da igreja não alegando Sua autoridade sobre ela, mas amando-a e dando-se por ela. Igualmente, a genuína autoridade espiritual pertence àqueles que seguem Cristo participando das Suas aflições em amar a igreja e dar-se pelos santos (Cl 1:24).

Efésios 5 diz às esposas para se submeterem aos maridos, mas diz aos maridos para amar as esposas, não controlá-las. Os presbíteros devem cuidar dos santos no mesmo princípio. Em 1934, eu era bem jovem, mas já que o irmão Watchman Nee se ausentara por um longo período de tempo, o Senhor pôs a responsabilidade da igreja e da obra em Xangai em minhas mãos. Um dia, os presbíteros vieram até mim e me falaram sobre alguns problemas relacionados com os irmãos e irmãs. Percebi que esses presbíteros estavam tentando exercer sua autoridade como tais e estavam negligenciando mostrar amor aos santos. Levei essa questão ao Senhor. Enquanto estava diante do Senhor um dia, Ele me revelou em Sua Palavra que o marido é a cabeça, mas não é dito que controla a esposa, antes, ama-a. Os presbíteros têm a autoridade, mas não a exercem; antes, devem exercitar o amor para com todos e estendê-lo aos demais. Isso é simplesmente submeter-se sob o encabeçamento do Senhor. (Basic Principles for the Practice of the Church Life, p. 36)

Nunca funciona um presbítero tentar assumir autoridade na igreja pela força. Isso não só não é agradável aos olhos dos homens, mas também não terá confirmação da parte do Espírito Santo. Você pode assumir sua autoridade, mas o Espírito Santo não vai estar lá. Você pode ser uma autoridade somente sobre uma base, e essa é em amor. Se você genuinamente amar os irmãos e irmãs, o amor em si se tornará o controle e isso vai se tornar sua autoridade sobre os outros. (The Elders' Management of the Church, p. 89)

Assim, os presbíteros devem perceber que, enquanto há necessidade de autoridade adequada na administração da igreja e sem isso não pode haver um administração adequada dela, ainda assim, embora sendo a autoridade, os presbíteros precisam transformar sua autoridade em amor. Para os outros deve parecer que a autoridade desapareceu completamente e que tudo é amor. Amor é autoridade transformada, na mesma maneira que o corpo do Senhor Jesus era Deus transformado. Ele nunca fez com que os outros sentissem que Ele era Deus. Pelo contrário, Ele fazia com que os outros sentissem que era totalmente um homem. No mesmo princípio, aqueles que são autoridade não devem fazer com que os outros sintam que são a autoridade. Pelo contrário, devem fazer com que os outros sintam que tudo é totalmente uma questão de amor. Se os irmãos e irmãs não conseguem sentir amor em você, você não terá posição, base e fundamento para ser uma autoridade. Para ser uma autoridade, alguém precisa ter amor. (The Elders' Management of the Church, p. 91)

No Fluir da Vida

A autoridade na igreja não é levada a cabo primordialmente em administração, mas no fluir da vida.

Ap 22:1 - Então, me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro.

O trono de Deus e do Cordeiro no centro da Nova Jerusalém representa a autoridade divina do encabeçamento de Deus em Cristo. O suprimento de vida flui a partir dessa autoridade, e o desfrute do suprimento de vida nos coloca sob ela. O fluir da água da vida não somente nos proporciona o suprimento de vida, mas também nos traz a autoridade divina. No fluir da água da vida há o suprimento de vida e a autoridade divina com a comunhão em vida. Quando participamos do suprimento de vida, somos colocados sob a autoridade de Deus na comunhão de vida. (Estudo-Vida de Apocalipse, pp. 880-881)

Não devemos nunca separar a autoridade de graça ou graça de autoridade. Graça e a autoridade são uma coisa só. Se tivermos graça, estaremos debaixo de autoridade, e se estivermos debaixo de autoridade, com certeza participaremos da graça. Embora seja verdade que, como cristãos, precisamos reinar, não devemos reinar pela autoridade. Antes, devemos reinar por intermédio do fluir da vida. Os presbíteros não devem exercer o seu ofício por meio da autoridade. O presbiterado, ou seja, a representação do encabeçamento deve ser exercida por meio da vida fluindo. Embora o trono seja o trono de autoridade, o trono de encabeçamento, procedente do trono o rio da água da vida flui. Quando você olha para o trono, vê autoridade e encabeçamento. Mas quando olha para o rio, você vê a água da vida e a árvore da vida. Isso indica que o presbiterado adequado não é o exercício de autoridade sobre os outros; é a vida fluindo para dentro deles. Estamos reinando, mas não reinaremos por meio da autoridade; reinaremos por intermédio da vida interior fluindo. (Estudo-Vida de Apocalipse, pp. 901-902)

Mediante o Apascentar

A autoridade é exercida na igreja, não controlando os outros, mas pastoreando o rebanho.

1Pe 5:2a - Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer.

At 20:28- Atendei por vós e por todo o rebanho no meio do qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue (lit.).

Em Atos 20:28 Paulo incumbe os presbíteros da igreja em Éfeso a "pastorear a igreja de Deus." A principal responsabilidade dos presbíteros como supervisores não é governar, e, sim, pastorear, tomar conta de todos os aspectos do rebanho, a igreja de Deus...

Conforme 1 Pedro 5:2, os presbíteros não são dominadores; são pastores. Pastorear é um cuidado adequado exercitado sobre o rebanho. O rebanho precisa ser cuidado, protegido, guiado na direção certa e levado a um lugar onde podem comer e beber. Isso é pastorear.

Em 5:2, Pedro não diz aos presbíteros para pastorear seu próprio rebanho, mas o rebanho de Deus. O rebanho não é propriedade dos presbíteros, mas propriedade de Deus. Por isso, os presbíteros não devem considerar a igreja onde estão tomando a liderança como se esta a eles pertencesse. No Novo Testamento é-nos dito que a igreja é de Cristo, de Deus e dos santos. A igreja é a chamada de a igreja de Cristo, a igreja de Deus e a igreja dos santos (Rm 16:16; 1Co 1:2; 14:33). Mas a igreja não é a igreja dos apóstolos ou a igreja dos presbíteros. Uma vez que a igreja é composta dos santos, é a igreja dos santos. Uma vez que a igreja foi redimida por Cristo, é a igreja de Cristo. Uma vez que a igreja foi regenerada por Deus, é chamada de a igreja de Deus. Entretanto, Pedro deixa claro que os presbíteros não devem pensar que, porquanto estão assumindo a liderança na igreja, ela lhes pertence. Os presbíteros são para pastorear o rebanho de Deus, não seu próprio rebanho. (The Conclusion of the New Testament, Messages 189-204, pp. 2163-2164)

O pastoreio da igreja, o rebanho de Deus, por parte dos presbíteros, é a melhor maneira de cuidar dos "lobos vorazes" e daqueles que falam coisas pervertidas entre as igrejas (At 20:28-30). Freqüentemente os presbíteros me têm perguntado o que devem fazer sobre aqueles na igreja que falam coisas pervertidas. A maneira dos presbíteros lidarem com tal situação é pastorear a igreja. Muitos anos de história provaram que o apascentar dos presbíteros guardarão os santos dos "lobos vorazes" e daqueles que falam coisas pervertidas. (The Secret of God's Organic Salvation: "The Spirit Himself with Our Spirit", p. 28)

Pelo Alimentar

O conceito bíblico de reinar é o oposto ao nosso conceito natural, humano. Uma pessoa que está reinando em vida não governa os outros com autoridade, mas as supre com as insondáveis riquezas de Cristo como alimento.

Ef 3:8 - A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.

Gn 41:56-57 - [56] Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito. [57] E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo.

Mt 24:45-46 - [45] Quem é, pois, o escravo fiel e prudente, a quem o senhor constituiu sobre os de sua casa para dar-lhes o alimento a seu tempo? [46] Bem-aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.

O aspecto reinante é, primeiramente, o aspecto do apascenta. Se não tiver o encargo de apascentar os outros e alimentá-los, você jamais será capaz de reinar. A autoridade real advém da vida que apascenta. Por fim, José reinou sobre seus irmãos. Mas não reinou sobre eles enquanto não os apascentava. Ele foi enviado pelo pai para apascentá-los e alimentá-los. De semelhante modo Jesus veio, não como um Rei a governar sobre os outros; mas como um Pastor. (Estudo-Vida de Gênesis, p. 1664)

Pela sabedoria e autoridade dada por Deus, José reinou na maturidade de vida. Ele não só governou sobre toda a terra do Egito, mas também abençoou a terra inteira ministrando alimento às pessoas para prover sua existência. Gênesis 41:56-57 diz: "Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros. (...) E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José." Isso significa que todos aqueles que foram escolhidos, chamados, redimidos e transformados pelo Deus Triúno e dessa forma se tornaram maduros vão reinar por Deus com o rico suprimento de Cristo para satisfazer a necessidade das pessoas. (Truth Lessons, Level 3, Volume 1, pp. 111-112)

José governou a terra sendo a fonte de alimento em meio à fome. Ele dispensou as riquezas de alimento nos celeiros do Egito para satisfazer a fome das pessoas.

Protegendo o Rebanho

Os presbíteros são também responsáveis por proteger o rebanho dos lobos vorazes que vêm de fora e daqueles que falam coisas pervertidas que se levantam dentro da igreja.

At 20:28-31a - [28] Atendei por vós e por todo o rebanho no meio do qual (lit.) o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. [29] Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho. [30] E que dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. [31] Portanto, vigiai...

O apascentar da igreja, o rebanho de Deus, por parte dos presbíteros, é a melhor maneira de cuidar dos "lobos vorazes" e daqueles que falam coisas pervertidas entre as igrejas (At 20:28-30). Freqüentemente os presbíteros me têm perguntado o que devem fazer sobre aqueles na igreja que falam coisas pervertidas. A maneira dos presbíteros lidarem com essa situação é apascentar a igreja. Muitos anos de história provaram que o pastorear dos presbíteros guarda os santos dos "lobos vorazes" e daqueles que falam coisas pervertidas. (The Secret of God's Organic Salvation: "The Spirit with Our Spirit", p. 28)

Entretanto, ao exercer sua responsabilidade, os presbíteros devem cuidar em permanecer sob a autoridade de Cristo, a Cabeça, e não se desviar do ensinamento dos apóstolos. Eles não devem comprometer a posição da igreja em sua localidade como o testemunho do Corpo de Cristo sobre a base da unidade, mas têm de cuidar em preservar a genuína unidade tanto localmente como com todas as igrejas no Corpo de Cristo.

Sinais que Mostram que uma Pessoa não Tem Autoridade Espiritual

Assim como há sinais que mostram que uma pessoa é uma autoridade, também há sinais que indicam que uma pessoa não é uma autoridade. Entre esses há:

Declarar Sua Própria Autoridade

Sempre que alguém reivindica sua própria autoridade, isso é um sinal de falta de genuína autoridade.

3Jo 9 - Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

Uma autoridade delegada não tenta sustentar sua própria autoridade. Se você pensa que pode exigir obediência, que sua posição, dom ou poder justifica tal exigência, você não está qualificado para ser uma autoridade. Se sua disposição é tal que você quer que os outros lhe obedeçam, você não está qualificado para ser uma autoridade; não é o tipo de pessoa que pode receber submissão da parte dos outros. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 203)

O irmão Nee era muito categórico no sentido que ninguém deveria reivindicar sua própria autoridade.

A coisa mais feia é alguém defender sua autoridade a fim de estabelecê-la para si mesmo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 220)

Detesto e abomino aqueles que dizem: "Eu sou a autoridade designada por Deus." (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 221)

Espero que ninguém se levante para reivindicar que é autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 230)

Nada é mais repugnante que uma pessoa que luta para ser uma autoridade. É a coisa mais feia alguém tentar controlar os outros de uma forma exterior. Ambição por autoridade ou para ser alguém notável é algo que pertence aos gentios. Devemos expulsar esse tipo de espírito para fora da igreja. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 283)

O irmão Lee falou a mesma coisa acerca dos presbíteros exercerem autoridade na igreja.

Se os presbíteros na igreja tiverem a atitude que são os presbíteros, que têm autoridade e que estão aqui para exercê-la, isso será uma das coisas mais feias que existem! (The Elders' Management of the Church, p. 83)

Todo aquele que exerce autoridade para reivindicar que é um presbítero, que ele tem autoridade para lidar com tais e tais questões, e que vai exercê-la, está usando-a da forma errada! (The Elders' Management of the Church, p. 83)

Em algumas igrejas locais, tenho visto irmãos que agem como presbíteros ostentando uma fachada. Eles dizem: "Oh, sou um presbítero!" Assumem a faixa de presbítero e falam num tom como se fosse um. Tenho de dizer-lhes que nada há mais feio na igreja que ver tal coisa. (The Elders' Management of the Church, p. 88)

Nunca funciona um presbítero tentar assumir autoridade na igreja pela força. Isso não só não é agradável aos olhos dos homens, mas também não terá confirmação da parte do Espírito Santo. Você pode assumir sua autoridade, mas o Espírito Santo não vai estar lá. (The Elders' Management of the Church, p. 89)

Praticar a Auto-Vindicação

Sempre que uma pessoa vindica a si mesma, ela demonstra que não é uma autoridade.3

Nunca devemos proferir uma palavra sequer para vindicar nossa própria autoridade; antes, devemos dar aos outros plena liberdade. Os outros devem chegar até nós de uma forma tão espontânea como possível. Se eles não querem que sejamos sua autoridade, ou se esquivam de nós, não temos de forçá-los a nos aceitar. Se houver autoridade em nós, quem quer que deseje o Senhor vai de bom grado se aproximar de nós. A coisa mais feia é alguém defender sua autoridade a fim de estabelecê-la para si mesmo. Ninguém pode estabelecer sua própria autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 220)

Quando Moisés foi injuriado, ele não vindicou a si mesmo. Toda vindicação, justificação e reação deve provir de Deus, não do homem. Aqueles que buscam vindicar a si mesmos, não conhecem Deus. Ninguém que tenha andado na terra teve mais autoridade que Cristo, mas quando o Senhor estava na terra, Ele jamais vindicou a Si mesmo. Ele é a única pessoa que nunca vindicou a Si mesmo. Autoridade e vindicação são incompatíveis. (...) Aqueles que vindicam a si mesmos não têm autoridade alguma. Toda vez que uma pessoa vindica a si própria, perde sua autoridade. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 225)

Depreciar a Verdade

Se uma pessoa deprecia a verdade, ela não conhece autoridade e não é uma. Em alguns lugares tem sido dito que a verdade é apenas conhecimento morto e que tudo o que é necessário é espírito e vida. Isso é cortejar o desastre. Alguns têm dito que outros só se importam com conhecimento morto, mas eles se importam com espírito e vida. Esse tipo de conversa é divisivo e faz com que os santos desprezem os outros. É também um grande desvio que só pode conduzir à degradação.

Na realidade, a verdade tem muito maior destaque no Novo Testamento. O próprio Senhor disse que a palavra do Pai proferida por Ele era não somente espírito e vida (Jo 6:63), mas também verdade (17:17). A verdade é o desvendar da economia neotestamentária de Deus no ensinamento dos apóstolos (At 2:42; Tt 1:9). As palavras sãs desse ensinamento são "as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Tm 6:3): nada menos que aquelas palavras proferidas pelo Senhor enquanto Ele estava na terra. É mediante as sãs palavras do ensinamento dos apóstolos como a única verdade na era do Novo Testamento que Deus nos supre com espírito e vida.

A verdade é central para nossa experiência de Cristo em Sua salvação. A "palavra da verdade" é "o evangelho da vossa salvação" (Ef 1:13). A salvação completa de Deus é levada a cabo mediante a santificação do Espírito e fé da verdade (2Ts 2:13; cf. Jo 17:17). É por nos apegarmos à verdade em amor que somos capazes de crescer em Cristo em todas as coisas de modo que Ele pode nos edificar juntos como Seu Corpo no suprimento de vida (Ef 4:15-16).

A necessidade da verdade é um tema particularmente expressivo em Primeira e Segunda Timóteo, epístolas escritas por Paulo para equipar seu jovem cooperador Timóteo a enfrentar o desvio da verdade por parte de alguns das igrejas. A exortação de Paulo a Timóteo, de que admoestasse alguns a não ensinarem diferentemente da economia de Deus é baseada na revelação e compreensão dos apóstolos acerca da economia de Deus como a única verdade a ser ensinada no ministério do Novo Testamento. Paulo escreve que Deus deseja que todo homem não só seja salvo, mas também chegue ao pleno conhecimento da verdade (1Tm 2:3-4). Em 2 Timóteo 2:15, Paulo incumbe Timóteo a se apresentar "a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade."

Desde o início da restauração do Senhor, tem havido uma dupla ênfase sobre verdade e vida.

Graças ao Senhor que quase todos os santos na restauração do Senhor foram preservados pela verdade. Desde o início, a restauração foi edificada sobre a verdade e vida. (The Ministry of the New Testament and the Teaching and Fellowship of the Apostles, p. 17)

O conhecimento da verdade é a maior salvaguarda contra desvios. Aqueles que depreciam a verdade estão colocando de lado a autoridade da Bíblia e do ensinamento e comunhão dos apóstolos a fim de estabelecer sua própria autoridade. Historicamente, aqueles que substituíram o encabeçamento de Cristo produziram um sistema hierárquico de autoridade.

Como é importante aprendermos a ir ao Senhor e receber as ordens diretamente Dele! Deus relacionou o encabeçamento apenas Consigo mesmo. Essa verdade é uma salvaguarda para a vida da igreja. Desde que a hierarquia foi estabelecida no cristianismo, todo tipo de coisas malignas e diabólicas foram introduzidas nele. Se tomarmos Cristo como o conteúdo da igreja e a genuína unidade como sua base, e formos cuidadosos em praticar a verdade, a igreja será firme e guardada do mal. (Life Messages, #1-41, p. 148)

Enfatizar o "Sucesso" em vez de a Economia de Deus na Fé

Em alguns lugares, a ênfase no "sucesso" na obra (levantar grande número de igrejas e acrescentar grandes quantidades à igreja) substituiu o ensinamento da economia de Deus. "Sucesso" na obra e busca de "aumento" na igreja podem se tornar ídolos, substituindo o próprio Cristo como único foco de nosso afã. Enquanto nos rejubilamos no aumento em número de igrejas por toda a terra e no número de santos na restauração do Senhor, precisamos sempre nos lembrar que o que edificamos tem de ser uma constituição corporativa da vida divina (1Co 3:12-13). Meros números, de igrejas ou de crentes, não podem satisfazer o desejo do coração de Deus. Além disso, buscar tais objetivos pode fazer com que nos desviemos do caminho restrito da cruz. A maneira de servir o Senhor no caminho de Sua restauração é ser um espírito com Ele a fim de ministrar Cristo como vida por intermédio da cruz visando a edificação do Corpo de Cristo (2Co 4:11-12). O irmão Nee reconheceu que para Deus aprovar nossa obra, precisamos nos importar se a maneira pela qual trabalhamos é espiritual e não nos importarmos com o resultado.

A sabedoria do mundo declara que "o fim justifica os meios", mas isso nunca acontece na esfera espiritual. Nosso fim tem de ser espiritual e nossos meios também. A cruz não é mero símbolo, mas um fato e um princípio que tem de governar toda a obra de Deus. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 30, pp. 156-157)

Ele também viu desde cedo em seu ministério que a ambição pelo sucesso é uma armadilha que faz obreiros se desviarem de tomar o caminho da cruz.

Não devemos almejar sucesso e grandeza, mas somente observar se nossa velha criação—tudo o que temos por nascimento—passou pela cruz. Sem que a carne passe pela morte, o poder que temos com certeza não é o poder do Espírito Santo. Todos os crentes com discernimento espiritual, que chegaram ao outro lado do véu, sabem que tais sucessos não têm valor espiritual. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 13, p. 254)

Assim, a meta de sua obra não foi o sucesso, mas ser um com o Senhor para tomar Seu caminho, Sua maneira.

Nossos olhos não estão postos na porta aberta, mas em nosso Líder e no caminho que adotamos. Se o sucesso se tornar a medida de nossa obra, vamos ser enganados. O maior sucesso só pode ser determinado no futuro, não no presente. O padrão é a eternidade e não uma era temporal. Se os crentes adotarem o sucesso como o padrão, eles podem não ser capazes de ouvir a voz do Senhor aqui. A tentação embutida no sucesso pode ser a maior armadilha que o inimigo arma para os servos de Cristo. Muitas vezes, o sucesso determina a direção da obra de alguém mais que a palavra de Deus. Isso pode continuar até que a direção na verdade se torna contrária à palavra de Deus. Mesmo o sucesso que advém mediante verdadeira obediência pode resultar em jactância exagerada, transtornando a serenidade espiritual de alguém. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 5, p. 553)

A busca pelo sucesso e aumento levou alguns obreiros a abandonar o caminho restrito de vida e introduzir meios mundanos, tais como música rock e dramas para atrair as pessoas.4

Outros grupos de cristãos usam meios naturais e mundanos para atrair pessoas. Eles usam os meios sociais, de música rock e de corais com mantos coloridos. Usam esses meios para ganhar pessoas, mas nós não podemos usar tais meios. Quando as pessoas são salvas e entram em nossa reunião, elas ouvem a pura palavra de Deus. (The Christian Life, p. 58)

Todos estamos felizes por estar na restauração do Senhor e a apreciamos muito. Mas permita-me perguntar-lhe: Como alguém na restauração do Senhor, você está andando no caminho apertado? Todos devemos ser capazes de dizer que não estamos tomando o caminho do cristianismo, mas o caminho apertado. Somos pressionados por todos os lados. Os do cristianismo podem usar música de rock ou outros métodos mundanos para servir, mas nós não podemos, porque nosso caminho é apertado. (Estudo-Vida de Mateus, p. 294)

O Senhor se importa mais com a pureza de Sua restauração do que com obras prevalecentes, conforme o homem as avalia. Se usar meios mundanos de ganhar aumento e ter sucesso na obra for a forma de medir a autoridade espiritual de alguém, isso são sinais evidentes de que há um desvio de ser um com a autoridade da Cabeça e estar sob tal autoridade tomando o caminho estreito da vida. Se não adotarmos o caminho estreito, o Senhor vai declarar que mesmo as obras realizadas em Seu nome são na verdade obras de iniqüidade.

Mt 7:14 - Porque estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram.

Mt 7:22-23 - [22] Muitos, naquele dia, Me dirão: Senhor, Senhor! não foi em Teu nome que profetizamos, e em Teu nome expulsamos demônios, e em Teu nome fizemos muitos milagres? [23] Então lhes declararei: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade.

Fazer Obra em Rivalidade

Fazer obra em rivalidade com outros é um forte sinal de que alguém está fora do encabeçamento de Cristo. No Corpo de Cristo, não deve haver rivalidade. Rivalidade é um sinal que alguém é almático e egoísta.

Fp 1:17 - Aqueles, contudo, pregam a Cristo, por 1discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias.

nota de rodapé 1:171 - Egoísmo, rivalidade, facção.

Fp 2:3 - Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.

Os crentes almáticos são muito ambiciosos, sempre desejando se destacar entre os homens. Eles têm um forte senso de vanglória na obra do Senhor. Almejam ser obreiros poderosos, grandemente usados pelo Senhor. Qual é o motivo? Querem ganhar alguma posição para si mesmo, o que constitui certa glória. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 12, pp. 163-164)

O serviço de evangelho deve ser levado a cabo em comunhão. Estar em rivalidade na obra do Senhor é um sinal de que uma pessoa não está no Espírito de Jesus. Estar fora do Espírito de Jesus é não estar debaixo da autoridade de Cristo. Isso desqualifica uma pessoa para ser uma autoridade no Corpo de Cristo.

Fp 1:5 - Pela vossa 1cooperação no evangelho, desde o primeiro dia até agora.

nota de rodapé 1:51 - ... A vida que experimenta e desfruta Cristo é uma vida na cooperação do evangelho, uma vida que prega o evangelho, não individualmente, mas corporativamente. Assim, há a comunhão para a cooperação do evangelho. Quanto mais comunhão temos na cooperação do evangelho, mais de Cristo experimentamos e desfrutamos. Isso vai matar nosso ego, ambição, preferência e escolha.

Mas tão logo houver o menor vislumbre de rivalidade, não poderemos estar no Espírito de Jesus. Além disso, se não estivermos no Espírito de Jesus, não estaremos na comunhão do evangelho e estaremos acabados para a experiência de Cristo. Para experimentarmos Cristo, precisamos da comunhão no evangelho pelo Espírito de Jesus sem inveja, porfia ou rivalidade. (The Experience of Christ, p. 16)

Alguns hoje estão enviando obreiros para levantar igrejas a fim de demarcar seu próprio território rivalizando com a outra obra do ministério na restauração do Senhor. Isso está no princípio da rebelião de Coré. A rebelião de Coré foi motivada pela rivalidade no serviço do Senhor.

Estes dois sinais, um negativo e outro positivo, foram produzidos por intermédio da rebelião de Coré e seu grupo. O sinal negativo é a cobertura do altar feita pelos incensários que pertenciam aos duzentos e cinqüenta homens que foram julgados (16:36-40). Esse altar, sobre o qual os sacrifícios eram oferecidos, é um tipo da cruz de Cristo. O julgamento de Deus sobre esses duzentos e cinqüenta homens representa o julgamento da cruz sobre todo o serviço do homem que é segundo as opiniões humanas, pela sua carne e contém rivalidade com outros. Os duzentos e cinqüenta homens estavam queimando incenso no serviço de Deus, que era feito segundo sua própria maneira. Seu serviço foi julgado por Deus e o resultado daquele julgamento foi um sinal negativo: a cobertura do altar. O sinal positivo é a vara de Arão que floresceu, que representa Cristo em ressurreição, o Cristo que floresce.

Esses dois sinais, representando Cristo em ressurreição e Sua cruz julgadora, estão conosco hoje como um lembrete e uma advertência para nós acerca de nosso serviço a Deus. O sinal negativo nos adverte para não servirmos a Deus segundo nossa opinião, pela nossa carne ou rivalizando com outros porque esse tipo de serviço, não devemos esquecer-nos, foi julgado há três mil e quinhentos anos. Do lado positivo, a vara que floresceu—o Cristo florescente em Sua ressurreição, que não só brota, mas também floresce e dá frutos para a maturidade—está com alguém que de fato se posiciona com Deus e é um com Ele. (Life-study of Numbers, p. 187)

Buscar Estabelecer o Próprio Reino

Alguns irmãos caíram no erro de Saul, buscando estabelecer sua própria monarquia dentro do reino de Deus. Isso também é um sinal de que este não está debaixo do encabeçamento de Cristo.

A restauração do Senhor hoje é o reino de Deus. Alguns têm tentado edificar sua obra e estabelecer uma monarquia para si mesmos dentro da restauração. O irmão Nee enfatizou categoricamente essa mesma questão quando disse que alguns assim chamados co-obreiros estavam edificando para si mesmo algo separado da restauração enquanto permaneciam nela. Esses co-obreiros edificaram seus pequenos impérios. Recentemente, uma monarquia foi edificada em certa área deste país, mas os santos lá se recusaram a prosseguir com tal monarquia. Eles me escreveram dizendo que as igrejas naquela área não tinham sido levantadas por este que queria instituir uma monarquia, mas foram estabelecidos e nutridos pela essência da restauração do Senhor. Esses santos disseram que queriam a restauração, o reino de Deus hoje.

A restauração ao redor do globo é singularmente uma. A essência intrínseca do reino de Deus é o Corpo de Cristo, a igreja de Deus. Pelas décadas passadas, alguns irmãos trabalharam e laboraram muito bem, e nós valorizamos o que fizeram. Ainda assim, alguns dos obreiros levaram a cabo uma obra na restauração usurpando-a. Hoje, em alguns lugares, ainda há uma tendência, sob o nome de restauração, de edificar algo dentro do ministério da restauração, usurpando as vantagens dela e usando os materiais do ministério da restauração. Há sinais de que a obra nesses lugares não é uma obra pura, uma obra puramente para a edificação do Corpo de Cristo, o reino de Deus; antes, é uma obra edificada para o interesse próprio de determinadas pessoas. (Life Study of 1 and 2 Samuel, p. 64)

Alguns têm reivindicado certas regiões como seu território e têm agressivamente promovido a expansão do seu tipo de obra e a vida da igreja a fim de aumentar o âmbito de sua influência. Isso é divisivo.

Outro fator oculto de divisão é a tendência de manter territórios independentes. A obra e o mover do Senhor para o cumprimento da economia eterna de Deus são singularmente um. Se considerarmos como nosso território particular alguma região na qual participamos da obra singular do Senhor, isso será uma causa ou um fator de divisão. Mesmo a tendência de manter um território separado deve ser removida. Temos de trabalhar pelo Senhor dentro da Sua medida (2Co 10:13-16), mas não devemos considerar aquilo que o Senhor designou a nós como nosso território particular. Nossa obra local em nossa região deve ser para o Corpo universal de Cristo. No Novo Testamento não podemos ver algo como jurisdição na obra do Senhor. (Elders' Training, Book 10: The Eldership and the God-ordained Way (2), p. 19)

Uma pessoa que se envolve em tais atividades não conhece o Corpo ou a autoridade da Cabeça.

O Exercício Inadequado de Autoridade

O exercício inadequado da autoridade prejudica os outros. Exemplos do exercício inadequado da autoridade incluem:

Comportar-se como a "Autoridade"

Uma pessoa com autoridade espiritual, nem alega autoridade nem se comporta como se fosse uma autoridade.

Um presbítero tem de ser a autoridade, mas ele nunca deve exercê-la. Sempre que você exerce sua autoridade como um presbítero, já está desqualificado para ser um. Vamos outra vez nos reportar à história de Moisés. Ele era de fato a autoridade no meio do povo de Deus, e ainda assim nunca a exerceu. Toda vez que problemas, dificuldades ou assuntos do cotidiano se apresentavam, ele tinha somente um lugar para ir, que era se dobrar diante de Deus. Ninguém jamais o ouviu dizer que ele era a autoridade estabelecida por Deus, ou que ia lidar com questões ou cuidar de assuntos com autoridade. Jamais disse qualquer coisa parecida, mas ainda assim, o tempo todo ele estava sendo a autoridade ali. Ele estava agindo com uma autoridade em amor, em paciência e com discernimento. O fato de ser a autoridade dessa forma era sua maneira de exercê-la.

Da mesma forma, você e eu temos que aprender a ser a autoridade em amor, no espírito, em ressurreição, na paciência, no discernimento e na coordenação. Ao mesmo tempo, não devemos exercer nossa autoridade. Devemos sempre ter em mente que nunca devemos exercer nossa autoridade como um presbítero. Nunca diga: "Sou um presbítero, e eu me sento na cadeira de presbítero. Estou executando tal e tal coisa na posição de presbítero." Isso está errado. Que o título de presbítero e a sua posição sejam reduzidos a zero em nosso meio. Entre nós deve haver somente a pessoa, o ministério, a responsabilidade e o encargo de presbítero. (The Elders' Management of the Church, pp. 99-100)

Exercer Controle

Exercer controle é um sinal que a uma pessoa falta genuína autoridade espiritual. Uma pessoa com autoridade espiritual não exerce controle sobre os outros.

1Pe 5:3 - Nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho.

Também, segundo a palavra do Senhor nos Evangelhos e as palavras de Pedro em sua Epístola, a Palavra sagrada não permite absolutamente que o presbítero controle. O Senhor Jesus enfatizou esse ponto com muita veemência. Os líderes não devem ser os controladores, mas escravos, servos que servem e não que exercem controle. Pedro então diz que os presbíteros não devem se assenhorear dos crentes. A igreja não pertence aos presbíteros, mas é o rebanho de Deus. Um presbítero é um pastor e um servo para cuidar do rebanho do proprietário e o proprietário é o próprio Deus. Em 1 Pedro 5:3, Pedro diz aos presbíteros para não dominar os "que vos foram confiados." Essa expressão no grego significa lotes ou quinhões. As igrejas são propriedade de Deus, aquinhoadas aos presbíteros como seus lotes, suas porções, confiados a eles por Deus para cuidar delas. Deus é o Proprietário e Amo e os presbíteros são Seus servos para servi-Lo e cuidar de Seu encargo. O Amo designou a igreja local aos presbíteros que devem cuidar do rebanho, não governando, mas servindo como um escravo, pondo-se eles mesmos como modelo vivos.

Segundo o ensinamento do Novo Testamento, não há posto ou posição para os presbíteros. Também não há controle de sua parte, porque eles não têm qualquer posto ou posição. Não têm direito algum de exercer o controle. A palavra clara do Novo Testamento são não permite ou dá qualquer base para que eles assumam um posto, posição ou exerçam o poder controlador. (Treinamento de Presbíteros, Volume 4: A Prática da Restauração do Senhor, p. 116)

Os presbíteros, portanto, não são designados para ser governantes exercendo autoridade sobre os demais. Governar sobre os outros é feio e torpe. Os presbíteros jamais devem governar alguém. No Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus disse que Ele é o único Senhor e Mestre e que somos todos irmãos (Mt 23:8, 10). Isso significa que os presbíteros, os que lideram, também são não mais do que irmãos. (The Conclusion of the New Testament, Messages 189-204, p. 2161)

Dominar os membros da sua igreja, que estão sob o seu pastorear, é um forte sinal do seu orgulho. Os presbíteros freqüentemente têm o problema de sentir que "eu sou um presbítero e todos vocês deveriam me ouvir." Por essa razão, Pedro falou uma palavra forte: "Aos presbíteros que há entre vós (...) nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho" (1Pe 5:1-3). (Presbíteros e Cooperadores - Quem São Eles?, p. 84)

Mesmo tomar decisões pelos outros é um insulto ao encabeçamento de Cristo.

... Se um presbítero toma uma decisão por um novo crente, não importa se o presbítero faz isso com boa intenção ou com atitude crítica, ele insulta o encabeçamento de Cristo. Muitos irmãos inconscientemente insultam o encabeçamento de Cristo. É coisa séria um presbítero se tornar o senhor dizendo a um santo o que fazer. Precisamos nos conduzir apropriadamente na casa de Deus ajudando os que são crentes como nós de forma que honremos o encabeçamento de Cristo e encorajemos os jovens a aprender como contatar o Senhor. Isso fará uma grande diferença. (Crucial Principles for the Christian Life and the Church Life, p. 91)

Espancar os Co-escravos

O Senhor adverte os discípulos para não espancar seus co-escravos. As pessoas que pensam que são superiores que os outros, são freqüentemente ríspidos ao lidar com os demais. Porquanto uma pessoa com autoridade espiritual não se vê mais elevada que os outros, ela não os trata mal.

Mt 24:48-49a - [48] Mas se aquele escravo mau disser no seu coração: Meu senhor tarda, [49] e começar a espancar os seus co-escravos, e comer e beber com os ébrios...

Mateus 24 fala do escravo mau que diz "no seu coração: Meu senhor tarda" e começa a "espancar os seus co-escravos..." (vv. 48-49a). Quando tratamos mal um co-escravo, criticando, opondo-nos ou desprezando-o, isso é espancá-lo aos olhos do Senhor. Temos de dizer uma palavra contundente aqui. Podemos facilmente cair nesse perigo sem perceber isso absolutamente. Podemos cair em críticas aos irmãos e irmãs. Às vezes, podemos nos opor ou desprezar alguns dos santos. Talvez até lutemos contra eles. Isso é espancar os escravos do Senhor, que são nossos co-escravos. (Basic Lessons on Service, p. 109)

Alguns irmãos têm espancado os santos sujeitando-os a duras críticas públicas, justificando suas demonstrações de mau humor sob a máscara de "aperfeiçoar" os santos.

Extraviar por intermédio de Ensinamentos Diferentes

É um sério mal uso de autoridade extraviar os crentes por intermédio de ensinamentos diferentes.

At 20:30 - E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.

1Tm 1:3-Quando para a Macedônia, roguei-te que permanecesses em Éfeso a fim de advertires a certas pessoas, que não ensinem coisas diferentes. (lit.)

O Novo Testamento nos mostra que a edificação do Corpo de Cristo, incluindo todas as igrejas locais, envolve as pessoas dotadas - os apóstolos, profetas, evangelistas e pastores e mestres (Ef 4:11-12). Esses são os que dão o ensinamento dos apóstolos. A edificação do Corpo de Cristo também envolve os presbíteros. São os presbíteros que colocam o ensinamento dos apóstolos em prática. Os apóstolos ensinam não apenas os santos nas igrejas, mas também os presbíteros das igrejas. Então, os presbíteros colocam o ensinamento dos apóstolos em prática. Os presbíteros nunca devem se separar do ensinamento dos apóstolos. Para a edificação da igreja, precisamos do ensinamento dos apóstolos e do presbiterado para praticá-la. (Elders' Training, Book 10: The Eldership and the God-ordained Way (2), p. 156-157)

Não devemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que as coisas sobre as quais o apóstolo Paulo advertiu os presbíteros efésios e encarregou Timóteo de lidar com elas não possam ser problemas na igreja hoje.

Fazer da Autoridade de Alguém a Base para Receber os Outros em Comunhão

Alguns mudam a base da unidade dos crentes afirmando sua própria autoridade ao ponto de a verdadeira base da unidade se tornar a aceitação e obediência à sua autoridade. Em outras palavras, ao fazer de sua autoridade um postulado, sendo alguém com prerrogativas de autoridade, isso se torna um pré-requisito para participar da igreja.

Qual é a causa de divisão? É devida principalmente à rivalidade por liderança. "Eu quero ser o cabeça. Não ficarei sob você. Se não for o número um, vou estabelecer outro grupo de modo eu possa estar à frente." Ninguém, é claro, vai abertamente fazer uma declaração desse tipo. Vai vestir uma capa maravilhosa e ocultar-se dentro dela se for acusado de causar divisão. Mas como igreja, cheia de vida, podemos ver através de sua pretensão exterior. Assim, rejeitamos tanto o anticristo como os Diótrefes. Se nos recusarmos a seguir os líderes auto-designados, não haverá divisões. Cristo é nossa única Cabeça. (Seven Mysteries in the First Epistle of John, p. 79)

"Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida" (1Jo 1:9). Os irmãos locais não tinham clareza sobre Diótrefes e pensavam que ele era de fato uma pessoa com autoridade. Ele gostava "de exercer a primazia entre eles." Não estava disposto a receber pessoas, nem que os demais recebessem. Por isso, João disse: "Se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica" (v. 10). (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 51, p. 219)

Esses abandonaram a base da unidade, que é a unidade do Corpo de Cristo universal, manifestado no tempo e no espaço como a igreja numa localidade. Eles fizeram de sua autoridade pessoal, assumida, a prova de teste para admitir outros crentes e excomungaram aqueles que não lhes obedecem.

Devemos executar tudo o que fazemos em amor. Amar está sempre certo. Porém, se vocês puserem pessoas para fora para manter sua posição e posto como presbíteros, isso de modo algum é em amor. Vocês estão simplesmente pondo pessoas para fora como uma capa de proteção para sua posição e posto. Isso está errado. Precisamos praticar a vida da igreja segundo a justiça em amor. (Treinamento de Presbíteros, Volume 4: A Prática da Restauração do Senhor, pp. 96-97)

Enquanto é verdade que os presbíteros têm de eventualmente pôr em quarentena os membros divisivos para proteger os santos, precisamos ter um discernimento claro para reconhecer se tal autoridade está sendo exercida visando o cuidado da igreja ou para atender ao próprio interesse dos presbíteros. Com certeza, quando uma excomunhão em massa acontece, feita na forma de denúncia pública cheia de ressentimento em vez de com pesar e agravo, isso não é uma representação adequada da autoridade de Cristo em Seu cuidado para com todos os membros de Seu Corpo.

Manifestações de Rebelião

Os homens freqüentemente exercem sua própria autoridade em nome de Deus e ainda assim em rebelião contra Ele. Isso pode ser verdade até mesmo na igreja. Por isso, é importante que distingamos as manifestações de rebelião. Essas incluem palavras de injúria, arrazoamentos e idéias de rebeldia.

Onde a rebelião de alguém é manifestada na prática? Primeiro, ela é manifestada em palavras. Segundo, ela é manifestada em arrazoamentos. Terceiro, ela é manifestada em idéias. Para ficarmos livres da rebelião, devemos primeiro tratar com essas três coisas, senão, a rebelião não poderá ser mais realmente tratada. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 179)

Para discernir se um homem tem ou não autoridade, precisamos ver se ele foi tratado no falar, nos seus arrazoamentos e em suas opiniões. Tão logo alguém seja confrontado com uma autoridade, sua língua não será tão descuidada, seus arrazoamentos não serão tão ousados e, mais profundo ainda, suas opiniões não serão expostas. Um homem comum tem muitas opiniões e ele usa muitos motivos exteriores para reforçar suas opiniões. O dia tem de chegar quando a autoridade de Deus vem para remover as fortalezas que Satanás estabeleceu mediante arrazoamentos para capturar os pensamentos do homem, tornando-o um escravo de Deus voluntário, que se sujeita à Cristo sem qualquer opinião. Somente então haverá uma salvação completa. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 47, p. 193)

Palavras de Injúria

Palavras de injúria é sempre um sinal de rebelião.

... O maior sinal de rebelião são palavras de injúria que saem da boca de alguém. É impossível uma fonte jorrar água doce e amarga ao mesmo tempo (Tg 3:11). Tão logo jorremos água amarga, a água doce se vai. A mesma boca não pode falar palavras injuriosas e de amor ao mesmo tempo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 158)

... Pedro disse que alguns não são submissos, que desprezam o senhorio. A manifestação exterior desse estado interior são injúrias saindo da boca. Quando a injúria é expressa em palavras, ela se torna um falar maligno. A primeira marca da rebelião está no falar, isto é, no falar maligno de alguém. A língua é o membro mais difícil de domar. É o menor de todos os membros e ainda assim se gaba de grandes coisas e é posta em fogo pelo Geena (Tg 3:5-6). O sinal exterior mais rápido de desafio da autoridade é o exercício da língua. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, pp. 155-156)

A consciência do pecado advém de conhecer Deus. Da mesma forma, a consciência de palavras injuriosas advém do conhecimento do Corpo. As palavras injuriosas são o contrário do testemunho do Corpo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 57, p. 240)

Não é de se espantar que a esses filhos de Israel não lhes foi permitido entrar na terra prometida. Em sua rebelião, eles foram longe demais. Alguns dos rebeldes disseram a Moisés e Arão: "Fostes longe demais!" (16:3). Moisés lhes disse a mesma coisa: "Fostes longe demais, filhos de Levi!" (16:7). Na verdade, os rebeldes foram longe demais e ainda acusaram Moisés e Arão de ter ido longe demais. Eles condenaram Moisés e Arão por fazer o que eles mesmos estavam fazendo. Coisas semelhantes aconteceram por todas as gerações, com os ambiciosos acusando falsamente os outros de serem ambiciosos. Em Números 16 e 17 o julgamento e a vindicação de Deus claramente indicaram que os rebeldes, e não Moisés e Arão, tinham ido longe demais. (Life-study of Numbers, pp. 184-185)

Palavras de injúria são forte característica das palavras e escritos daqueles que se opõem à liderança no ministério da restauração do Senhor hoje. Tais palavras mostram claramente que aqueles que as proferiram se desviaram da posição adequada sob o encabeçamento de Cristo e no Corpo de Cristo.

Arrazoamentos e Pensamentos de Rebeldia

As palavras injuriosas são baseadas nos arrazoamentos e pensamentos de rebeldia dos homens.

2Co 10:4-5 - [4] Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, derrubando nós arrazoamentos (lit.) [5] e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.

Fp 2:14 - Fazei tudo sem murmurações nem contendas.

Na Bíblia Deus nunca arrazoa com o homem. Onde os arrazoamentos abundarem, a autoridade estará ausente. As decisões de Deus vão além do consentimento ou negação da mente ou arrazoamentos humanos. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 213)

A rebelião do homem contra autoridade é manifestada em seu falar, bem como em seus arrazoamentos. Aqueles que não conhecem autoridade injuriam, e esse injuriar advém de arrazoamentos. O homem injuria porque arrazoa dentro de si mesmo. Por exemplo, Arão e Miriam injuriaram Moisés porque ele desposara uma cusita. Disseram: "Porventura, tem falado o SENHOR somente por Moisés? Não tem falado também por nós?" (Nm 12:2). Nossas palavras sempre seguem nossos arrazoamentos. Arão e Miriam primeiro arrazoaram em sua mente. Talvez pensassem: "Todos nós três somos servos de Deus e Ele tem falado a todos nós. Miriam é a primeira profetiza e Arão é o sumo sacerdote. Todos nós fomos designados por Deus. Deus fala somente a Moisés e não a nós também?" Aparentemente, nada havia de errado com essa idéia; parecia bem razoável. Os arrazoamentos ficam ocultos no coração ao passo que as palavras são proferidas pela boca. As palavras de rebelião ocorrem porque há arrazoamentos dentro do coração de alguém. A primeira causa de rebelião são os arrazoamentos dentro do coração de alguém. A menos que alguém trate totalmente com seus arrazoamentos, ele não poderá deter as suas palavras. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 213)

Segunda Coríntios 10:4-5 nos diz que o arrazoamento é um tipo de fortaleza. Para obedecer a Cristo, uma pessoa tem de levar cativo todo seu pensamento e derrubar a fortaleza dos arrazoamentos. Os versículos 4b-5 dizem: “Derrubando nós arrazoamentos e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (lit.). Toda altivez se refere a tudo que impede um homem de chegar ao conhecimento de Deus. A maior dessas coisas é o arrazoamento. Uma vez que alguém arrazoa com Deus, esse arrazoamento se torna uma altivez aos Seus olhos. Paulo disse que essas fortalezas precisam ser derrubadas. Elas são erigidas por Satanás e estão relacionadas com arrazoamentos. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 219)

Os escritos dos dissidentes conduzem a um espírito rebelde e são cheios de arrazoamentos e injúrias.

Como a Autoridade Espiritual Pode Ser Perdida

A autoridade espiritual no Novo Testamento é condicional. Assim como se ganha por meio de crescimento em vida e aumento de visão, também pode ser perdida por:

Não Permanecer na Revelação e Mover Atualizados do Senhor

O ministério de João Batista foi usado por Deus para inaugurar a era do Novo Testamento e introduzir o ministério do Senhor Jesus, mas quando o ministério maior de Jesus foi manifestado, João continuou a ter discípulos próprios e a efetuar uma obra separada do Senhor Jesus. Nesse ponto, o ministério de João já não era mais o mover atualizado do Senhor e aqueles que o seguiam sofreram um atraso significante para entrar na realidade da economia neotestamentária de Deus.

Jo 3:26 - E vieram ter com João e lhe disseram: Rabi, Aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que Ele está batizando, e todos vão a Ele.

At 19:2-3 - [2] Perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. [3] Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João.

João Batista foi o precursor do Senhor Jesus, a voz do que clama no deserto (Jo 1:23). Depois que Cristo saiu a ministrar, João deveria ter parado sua obra e se retirado para que Cristo pudesse ser o Único em cena, e todos aqueles que o seguiam deveriam ir para Cristo. Mas porquanto João não se retirou imediatamente, quando seus discípulos viram que todo o povo ia para o Senhor Jesus para ser batizado (Jo 3:26), eles quiseram fazer justiça a favor de seu mestre, fazendo assim com que a obra de João competisse com Cristo. Se João não mais batizasse pessoas e dissesse a todos os seus discípulos que deviam seguir Jesus, não permitindo que as pessoas o seguissem mais, não teria havido dificuldades.

No fim, João Batista foi posto na prisão por Herodes o tetrarca, e decapitado. Esse fim põe em relevo por um lado, a malignidade, a corrupção e as trevas da política romana; por outro lado também mostra o resultado de João Batista não ter parado sua obra. Ele certa vez testificou categoricamente dizendo que não era o Cristo, mas um mensageiro enviado antes de Cristo. Também veementemente anunciou que Cristo era o Noivo vindo para desposar a noiva (a igreja, composta por todos os crentes em Cristo), que era somente o amigo do Noivo, e que Cristo precisava crescer e ele diminuir (Jo 3:28-30). Uma vez que era esse o caso, ele devia ter-se retirado de cena e não mais batizar pessoas porque Aquele de quem ele testificara já estava batizando pessoas. Mas ele ainda ficou lá as batizando, fazendo com que seus discípulos rivalizassem com Cristo. Por isso, Deus teve de levantar uma situação para removê-lo e pôr um fim ao seu ministério. Ainda assim o batismo de arrependimento deixado por ele ainda estava sendo recebido pelas pessoas, embora tivesse se tornado desatualizado e um estorvo para a economia neotestamentária de Deus (At 18:25; 19:1-5). (Truth Lessons, Level 1, Volume 2, pp. 77-78)

O irmão Nee aplicou o mesmo princípio a Jônatas, o filho de Saul. Jônatas estava diante de uma escolha de seguir um entre dois ministérios: o de Saul ou o de Davi.

Jônatas ficou entre Saul e Davi. Ele era um homem entre dois ministérios. Ele devia ter seguido o segundo ministério, mas, por ser a relação de Jônatas com o primeiro ministério profunda demais, este não conseguiu se desligar. Para agarrar o ministério da era, há a necessidade de termos a visão. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 57, p. 261)

Esse é também o princípio subjacente no falar do irmão Nee no início de seu ministério acerca da "presente verdade" em 2 Pedro 1:12:

2Pe 1:12 - Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados.

Segunda Pedro 1:12 menciona as palavras "verdade já presente convosco." A "verdade já presente" também pode ser traduzida por "verdade atualizada". Que é verdade atualizada? Na verdade, todas as verdades estão na Bíblia, não há verdade que não esteja nela. Ainda que todas as verdades se encontrem na Bíblia, muitas delas foram perdidas ou têm estado escondidas devido à insensatez, infidelidade, negligência e desobediência dos homens. As verdades estavam lá, mas o homem não as viu ou tocou-as. Senão até chegar a plenitude dos tempos é que Deus liberou certas verdades durante alguns períodos específicos de tempo, fazendo com que elas fossem desvendadas novamente.

Essas verdades recém reveladas não são novas invenções de Deus, antes, são novas descobertas dos homens. Não há necessidade de inventar, mas há necessidade de descobrir. Nas gerações passadas Deus revelou verdades diferentes. Por certos períodos de tempo, Ele levou homens a descobrirem essas verdades específicas. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 11, pp. 843-844)

O irmão Nee falou mais tarde em seu ministério sobre a necessidade de permanecer no fluir atualizado do Espírito.

A igreja se move porque o Espírito Santo se move primeiro. Assim que o Espírito Santo se move, todos devem dizer "Amém" ao Seu mover. O Espírito Santo se moveu à nossa frente e nós O seguimos nesse fluir. Nossas palavras e nossos sentidos espirituais devem todos ser atualizados no fluir do Espírito. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 55, p. 249)

Uma das maiores fontes de problemas no Novo Testamento foi o fracasso de alguns permanecerem no mover atualizado do Senhor mediante a visão da era que Ele transmitiu ao apóstolo Paulo.

No final, Barnabé separou-se de Paulo. Isso mostra que nem mesmo Barnabé pode acompanhar a visão daquela era, a visão que Paulo teve. Embora tenha sido ele quem introduzira Paulo no serviço, Barnabé ficou para trás, quando Paulo teve a visão atual da era.

Não apenas homens como Gamaliel e Barnabé estavam ficando para trás no tocante à visão; até mesmo apóstolos como Pedro e Tiago corriam o risco de ficar de fora da visão. Eles pertenciam ao mesmo grande grupo que Paulo, mas não cooperavam juntos. (A Visão da Era, p. 58)

Na época que o irmão Lee estava laborando para introduzir as igrejas na maneira ordenada por Deus de reunir e servir no Corpo de Cristo, ele disse aos presbíteros:

Devemos agarrar a visão da restauração atual do Senhor. Senão, vamos desligar a nós mesmos. Vamos permanecer contendendo em nossa velhice. Se vamos ou não prosseguir com o Senhor em Sua atual restauração depende de nós. Mas temos de perceber que quando a era mudar ela não vai esperar por nós. Uma vez que a era mude, seremos ultrapassados e ficaremos desligados no que tange ao mover do Senhor. Precisamos ter a visão da restauração atual do Senhor e praticá-la. (Elders' Training, Book 9: The Eldership and the God-ordained Way (1), pp. 131-132)

Toda vez que o Senhor avançou em Sua restauração da verdade e prática da vida da igreja, alguns se retiraram, divergiram do mover atualizado do Senhor. Esses dissidentes hoje têm criticado o pico elevado das verdades e até mesmo o conceito de que o mover do Senhor é progressivo. Esse é um forte indício de que eles estão fora do fluir atualizado do Espírito e, portanto, foram cortados da fonte da autoridade autêntica no Corpo.

Não Ser Fiel à Verdade

Uma segunda causa de perda de autoridade é não ser fiel à verdade. No dia de Pentecostes, Pedro tomou a dianteira entre os discípulos para proclamar o evangelho (At 2:14). Ele tinha sido pessoalmente comissionado pelo Senhor para usar as chaves do reino para abrir as portas tanto aos crentes judeus como aos crentes gentios (Mt 16:19). Entretanto, devido à sua infidelidade para com a economia neotestamentária de Deus em determinadas questões, sua liderança no ministério enfraqueceu. É por isso que ele não é mais mencionado no livro de Atos depois do capítulo 15, e a narrativa se volta para o ministério de Paulo, que foi fiel à visão celestial.

Gl 2:11-14a - [11] Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. [12] Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. [13] E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. [14] Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho...

At 26:19 - Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.

Quando Paulo viu que Pedro e os demais não andavam retamente segundo a verdade do evangelho, ele repreendeu Pedro diante de todos (Gl 2:14). Por causa de sua fraqueza, Pedro estava danificando a verdade do evangelho, a verdade que dizia que tanto crentes gentios como crentes judeus eram iguais. Isso indica que em Gálatas 2 a capacidade espiritual de Pedro tinha diminuído. Pedro não era um apóstata, mas sua capacidade espiritual estava menor que a de Tiago. Por esse motivo, em Gálatas 2:9 o nome de Tiago vem mencionado antes do nome de Pedro. Além disso, o fato de irmãos virem "da parte de Tiago" salienta que este representava a igreja em Jerusalém. (Leadership in the New Testament, p. 8)

Como alguém que tinha abundância da revelação divina armazenada em seu ser, Paulo se deparou com a situação entre os judeus, os políticos romanos, e a igreja. Entre os religiosos judeus ele viu hipocrisia, e entre os políticos romanos viu corrupção. Ademais, na vida da igreja viu a fraqueza, as concessões e a falta de luz e revelação. Parecia que ninguém na igreja era suficientemente ousado para defender a revelação e a visão que havia ganhado. No meio dessa situação Pedro deveria ter defendido ousadamente a revelação que recebera do Senhor, mas não o fez.

Nos capítulos dois a cinco de Atos, Pedro e João eram muito fortes e ousados. Como resultado da ousadia deles, foram levados diante do Sinédrio no capítulo quatro, e colocados pelo Sinédrio em prisão pública, no capítulo cinco. Neles não havia sinal de fraqueza ou concessão nesses primeiros capítulos. Não há indício de que estivessem com medo dos religiosos judeus ou tivessem de alguma forma sido transigentes com eles. No entanto, ao ler do capítulo 15 em diante e também Gálatas 2, vemos que Pedro por fim foi desmascarado em sua fraqueza e até mesmo hipocrisia. (Estudo-Vida de Atos, p. 624)

Alguns que têm sido ousados para se posicionar pela verdade na restauração do Senhor nos anos passados perderam sua posição devido à falta de disposição em se comprometer com a verdade acerca de separar-se do mundo, do profetizar de todos, das denominações, da unidade etc.

Tocar na Autoridade de Deus de uma Maneira Inadequada

Alguém que tem uma medida de autoridade espiritual pode perdê-la se tocar no governo de Deus de uma maneira inadequada. O irmão Lee contou a seguinte história sobre o irmão T. Austin-Sparks:

O amado irmão que era o líder naquele lugar havia tocado o governo de Deus. Estar governamentalmente errado para com Deus é uma coisa séria...

O amado irmão que me convidou para ir à Inglaterra havia primeiramente sido convidado por nós para ir a Taiwan. Ele foi em 1955 e novamente em 1957. Durante sua primeira visita, ele não tocou na questão da igreja, mas em sua segunda visita ele o fez de propósito. Quando o visitei na Inglaterra, dezesseis meses mais tarde, em agosto de 1958, ele me disse que quando o avião decolou de Taiwan para Hong Kong, o fluir em seu interior foi cortado e não foi restaurado. No mesmo dia em que me contou isso, ele disse também que chorara ao Senhor de manhãzinha, perguntando-Lhe por que o fluir fora cortado. (Estudo-Vida de Hebreus, pp. 200-201)

Quando uma "Autoridade" se Desvia da Verdade

Às vezes o Senhor soberanamente permite distúrbios nas igrejas e entre elas. Esses distúrbios servem para purificar as igrejas e manifestar aqueles que são aprovados.

1Co 11:19 - Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio.

Durante a desolação da igreja, os diferentes tipos de confusão, erros e corrupção funcionaram como um meio de manifestar aqueles que eram aprovados por Deus. Quem passar pelos testes e for aprovado por Deus será manifestado mediante a desolação.

Deus não deseja a desolação, mas em Suas mãos isso funciona para manifestar aqueles que passam pelos testes. Sem desolação, confusão, erros, corrupção e trevas não seremos capazes de ver a condição individual de cada um... (Three Aspects of the Church, Book 2: The Course of the Church, p. 63)

Em nossa história, esses distúrbios têm sido causados freqüentemente por aqueles que têm alguma proeminência na obra. Isso não deve nos deixar surpresos. Lembre-se que os 250 que seguiram Coré, eram "príncipes da congregação" (Nm 16:2). O que então devemos fazer quando aqueles que parecem autoridades desviam-se da verdade?

Dois Princípios de Equilíbrio

Quando uma pessoa que parece ser uma autoridade se desvia da verdade, devemos observar dois princípios de equilíbrio:

Não Podemos Seguir os que se Desviam da Verdade

Primeiro, precisamos ter muita clareza sobre o fato que quando um líder viola uma verdade essencial, seja no ensinamento ou na prática, não podemos segui-lo. Se o caminho que o líder está trilhando conduz à divisão do Corpo de Cristo ou da posição adequada de uma igreja local, não podemos segui-lo. Em alguns casos, a afirmação de autoridade compromete a posição de uma igreja local, fazendo-a, em vez disso, uma seita local. Isso porque as reivindicações de autoridade por parte do líder se tornam a base para receber crentes na comunhão. Além disso, se uma igreja se retrai da comunhão comum de todas as igrejas locais no Corpo de Cristo, ela não mais é uma igreja local, mas uma seita local.

Alguns têm a atitude de que a igreja local é independente e autônoma e não deve sofrer interferências. Isso é localismo. Uma igreja local independente é na verdade uma seita local. (The Constitution and the Building Up of the Body of Christ, p. 96)

As igrejas locais devem ter comunhão com todas as igrejas locais autênticas em toda a terra a fim de preservar a comunhão do Corpo de Cristo. Qualquer igreja local que não preserva essa comunhão universal do Corpo de Cristo é divisiva e se torna uma facção local. Algumas assim chamadas igrejas não são autênticas e se tornam divisões; nós não precisamos ter comunhão com essas "igrejas." (A Brief Presentation of the Lord's Recovery, p. 44)

Quando as pessoas dizem: "Não nos incomodem—somos a igreja nesta cidade", à vista de Deus, eles são uma seita local, não uma igreja local. (Estudo-Vida de Gênesis, p. 545)

De semelhante modo, se um grupo implementa uma forma não bíblica de governo, isso se torna uma seita.

A Bíblia já decretou todas as instituições da igreja de uma forma clara. Não devemos jamais ter qualquer decreto, sejam credos, constituições, regras, organizações ou estatutos fora da Bíblia, não importa quão bíblicos eles pareçam ser. Senão, nós nos tornaremos imediatamente uma seita. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 7, pp. 1116-1117)

Para preservar uma posição adequada, precisamos nos retirar de qualquer coisa que seja sectária.

Por nós mesmos, não podemos nos juntar a qualquer seita ou permanecer numa, porque nossa ligação de igreja só pode ser numa base local, mas quanto aos outros não podemos fazer do abandono da seita a condição para ter comunhão com aqueles crentes que estão na seita. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 30, p. 87)

Inevitavelmente, aqueles dos quais nos separamos vão nos chamar de divisivos.

Quando alguns irmãos ou irmãs querem voltar para o Corpo de Cristo, esses grupos dizem que aqueles que querem sair dentre eles estão sendo divisivos. Eles não percebem que todos os que estão nos grupos divisivos e que se recusam a deixá-los estão sendo divisivos. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 822)

Entretanto, separar-se de uma seita para voltar à base apropriada não é ser divisivo.

Eles mesmos estão sendo divisivos ao dizer: "Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo e eu sou de Cefas e eu de Cristo." Eles já criaram muitas divisões, mas tão logo alguém quer sair, eles dizem: "Você tem de manter a unidade cristã." Mas sua unidade não é tão grande como o Corpo de Cristo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 822)

Se alguém pensa que não deve ser divisivo, deve primeiro ter em mente o que significa ser divisivo. Ser divisivo significa ser dividido do Corpo. A divisão em 1 Coríntios 12 se refere à divisão do Corpo (v. 25), não uma separação de um grupo que não está segundo o Corpo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 820)

Assim, sair de uma seita não é um ato de rebelião.

Um homem pode ficar revoltado somente contra um governo legítimo; ele não pode se revoltar contra um governo que em si não é legítimo. É rebelião separar-se de um governo legítimo, mas não é rebelião separar-se de um governo que não é legítimo. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 50, p. 824)

Por um lado, não devemos rejeitar qualquer crente que não esteja ativamente promovendo qualquer coisa divisiva.

Se qualquer crente que esteja se reunindo com qualquer dessas divisões sectárias quiser freqüentar as reuniões das igrejas locais, ou contatar os crentes reunindo nas igrejas locais, ele não deve ser rejeitado contanto que não esteja promovendo qualquer coisa divisiva. (A Brief Presentation of the Lord's Recovery, p. 49)

Por outro lado, devemos rejeitar qualquer um que promova divisões sectárias.

Entretanto, qualquer um que seja agressivo e promova divisões sectárias deve ser considerado divisivo e rejeitado depois de uma primeira e segunda admoestação (Tt 3:10). Creio que essa é a maneira justa e bíblica de se lidar com divisões que se têm separado das igrejas locais genuínas e quebrado a comunhão singular do Corpo de Cristo. De qualquer maneira, segundo o ensinamento dos apóstolos no Novo Testamento, qualquer um que faça a divisão, que seja divisivo e carregue em si os "germes" da divisão, isto é, que é faccioso, sectário, devemos rejeitá-lo (Tt 3:10) e dele nos afastar (Rm 16:17). (A Brief Presentation of the Lord's Recovery, p. 49)

Não Devemos Injuriar os Outros

Embora não podemos seguir um líder ou alguém que se afaste da verdade, tampouco devemos injuriá-lo:

At 23:4-5 - [4] Os que estavam a seu lado disseram: Estás injuriando o sumo sacerdote de Deus? [5] Respondeu Paulo: Não sabia, irmãos, que ele é sumo sacerdote; porque está escrito: Não falarás mal de uma autoridade do teu povo.

Jd 8-10 - [8] Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. [9] Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! [10] Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem.

Sempre que há um conflito entre a autoridade delegada e a autoridade direta, podemos escolher submetermo-nos à autoridade delegada, mas não obedecê-la. Qualquer proibição da comissão de Deus, como proibição da pregação do evangelho, deve ter nossa submissão, mas não obediência. Qualquer incumbência para cometer atos proibidos por Deus, como gozar do pecado, devem igualmente encontrar nossa submissão, mas não obediência. Não podemos injuriar os governantes de estado ou nossos pais. Não podemos organizar revoluções ou insurreições. Em atitude e coração devemos sempre ser submissos. A pregação do evangelho, entretanto, é uma injunção direta do Senhor. Não importa o quanto os homens se oponham a nós, ainda devemos perseverar nisso. Nabucodonosor ordenou que todo homem adorasse sua imagem, mas o povo de Deus não o obedeceu embora ele fosse o rei. Em todas as outras coisas, porém, devemos nos submeter e obedecer. (The Collected Works of Watchman Nee, vol. 59, p. 232)

Devemos respeitar a medida de autoridade que foi dada a uma pessoa. Não devemos injuriá-la, mas tampouco devemos obedecer-lhe se nossa consciência, restringida pela Palavra do Senhor, objetar.5

Nossa Responsabilidade em Lidar com Problemas na Igreja

Quando surgem problemas na igreja, temos a responsabilidade de cooperar com o Senhor visando Seus interesses. Nossa motivação deve ser buscar ganhar nossos irmãos restaurando-os para uma condição adequada em sua comunhão com o Senhor e com Seu Corpo. Não devemos ser presunçosos em pensar que somos adequados para resolver qualquer problema, mas devemos buscar o Senhor em oração para que Ele nos infunda Consigo mesmo de modo que sejamos um com Ele para dar vida aos santos. Em alguns casos, precisamos nos importar com os interesses do Senhor buscando Seus representantes para esclarecer a situação para eles.

Buscar Ganhar Nosso Irmão

Ao lidar com problemas na igreja nosso coração deve sempre ser de ganhar nosso irmão.

Mt 18:15 - Além do mais, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.

Quando alguém pecar contra você, a incumbência do Senhor "vai e repreende-o entre ti e ele só" é, por um lado, para evitar envolver outros desnecessariamente e assim prejudicá-los; por outro lado, é restaurar o irmão ofendido à uma condição adequada diante do Senhor e na comunhão do Corpo. Quão doces são as palavras do Senhor: "ganhaste a teu irmão." Assim deve ser nosso coração.

Pedir e Dar Vida

Quando vemos problemas na igreja, devemos primeiro procurar o Senhor em oração. Dessa forma reconhecemos Seu encabeçamento e nossa própria insuficiência em nós mesmos.

1Jo 5:16 - Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue.

Quando oramos em unidade com o Senhor, Ele faz com que sejamos canais de vida por meio do qual o Espírito vivificante pode transmitir a vida divina para dentro daquele pelo qual rogamos.

O ponto vital aqui é que se quisermos orar por um irmão segundo o que está descrito no versículo 16, precisamos ser um com o Senhor. Devemos habitar no Senhor e pedir em um espírito com Ele. Por sermos realmente um com o Senhor, podemos nos tornar o meio, o canal, pelo qual o Espírito vivificante de Deus pode dispensar vida àquele por quem pedimos. Esse dispensar da vida ocorre na comunhão da vida divina. (Estudo-Vida de 1 João, pp. 375-376)

Falar aos Representantes do Senhor sobre Lepra na Casa

No Antigo Testamento se o proprietário de uma casa descobrisse lepra em sua casa, ele tinha de dizer ao sacerdote. Lepra indica pecado sério como resultado de rebelião. A lepra numa casa indica que há rebelião na igreja contra a autoridade e economia de Deus.

Lv 14:35 - O dono da casa fará saber ao sacerdote, dizendo: Parece-me que há como que praga em minha casa.

O pecado é na verdade lepra. Pecado indica, no sentido bíblico, rebelião. O pecado, portanto, é rebelião contra Deus, contra o representante ou autoridade delegada de Deus, e contra o plano, arranjo, governo e administração de Deus. Como um todo, o pecado é rebelião contra a economia de Deus. (Life-study of Leviticus, p. 341)

"Quando entrardes na terra de Canaã, que vos darei por possessão, e eu enviar a praga da lepra a alguma casa da terra da vossa possessão, o dono da casa fará saber ao sacerdote, dizendo: Parece-me que há como que praga em minha casa" (vv. 34-35). O fato de o proprietário vir e dizer isso ao sacerdote significa que os irmãos líderes ou aqueles que têm encargo pela igreja, aproximam-se do Senhor ou do apóstolo, o representante do Senhor, e conta ao Senhor ou ao Seu representante. Isso é o que devemos fazer quando a igreja estiver doente.(Life-study of Leviticus, p. 386)

Como crentes do Novo Testamento, nossa casa é a igreja. Quando vemos que há lepra na igreja, isto é, rebelião contra a autoridade de Deus e desvio de Sua economia, devemos levar a questão ao Senhor e aos irmãos que têm uma medida de autoridade espiritual.

"Fui Informado pelos da Casa de Cloe"

No capítulo um de 1 Coríntios, há um exemplo claro da prática da realidade de Levítico 14:35. Ali Paulo nos conta que a situação em Corinto fora-lhe informada pela casa de Cloe, uma irmã no Senhor.

1Co 1:11 - Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós.

A igreja em Corinto tinha muitos problemas. Aqueles da casa de Cloe tinham clareza sobre determinado problema, mas também perceberam que era um problema além da capacidade deles resolvê-lo. Por esse motivo, eles apresentaram um quadro claro da situação ao apóstolo Paulo, que de fato tinha a estatura espiritual para lidar com o problema. A casa de Cloe prestou um grande serviço ao Senhor e aos santos e à igreja em Corinto.

Autoridade na Era de Apocalipse

O livro de Apocalipse não fala sobre os presbíteros nas igrejas locais, mas de estrelas brilhantes como os mensageiros às igrejas. Isso nos mostra que autoridade não é uma questão de posição (presbíteros), mas de natureza (estrelas brilhantes).

Ap 1:20 - Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.

Essas estrelas brilhantes não são necessariamente presbíteros. Eles podem ou não ser presbíteros. Eles são mensageiros das igrejas, indicando que são aqueles que falam em unidade com o Espírito a fim de transmitir o que o Espírito está falando às igrejas.

Não só o próprio Cristo é a estrela, mas também Seus seguidores, aqueles que brilham nas igrejas. Em Atos e nas Epístolas os líderes foram chamados de presbíteros ou bispos, mas no último livro da Bíblia, eles são as estrelas. Agora não é uma questão de título ou posição, mas de brilhar. Todos os que vivem nas igrejas locais têm de ser estrelas brilhantes.

Que significa ser uma estrela? Daniel 12:3 nos dá a resposta: "Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente." As estrelas são aqueles que brilham, resplandecem nas trevas e tiram as pessoas dos caminhos errados para os caminhos certos. Agora, durante a era da igreja, é a época da noite; por isso precisamos do brilho das estrelas. Todos os líderes nas igrejas locais jamais devem reivindicar sua posição: nunca devem dizer: "Sou um dos presbíteros; vocês têm de me reconhecer como tal." Se disserem isso, estarão em trevas. Precisamos de irmãos e irmãs que brilhem, de estrelas brilhantes. (Finding Christ by the Living Star, pp. 24-25)

Em Atos e nas Epístolas os presbíteros eram os líderes no funcionamento das igrejas locais (At 14:23; 20:17; Tt 1:5). O presbiterado é um pouco oficial e, na época em que o livro de Apocalipse foi escrito, as atividades nas igrejas tinham se deteriorado na degradação delas. Por isso, nesse livro, o Senhor chama nossa atenção de volta para a realidade espiritual. Por essa razão, Apocalipse enfatiza as estrelas, os mensageiros das igrejas em vez dos presbíteros. O ofício dos presbíteros é facilmente percebido, mas os crentes precisam ver a importância da realidade espiritual e celestial das estrelas visando à vida da igreja adequada a fim de dar o testemunho de Jesus nas trevas da degradação da igreja.

As estrelas podem ou não ser os presbíteros. É certo que eles são os fiéis, os genuinamente espirituais, os vencedores entre os santos na igreja. Aos olhos de Deus esses são estrelas brilhantes. (The Conclusion of the New Testament, Messages 99-113, pp. 1221-1222)

No livro de Apocalipse não há presbíteros nas igrejas; pelo contrário, há mensageiros. Na época em que esse livro foi escrito, a igreja tinha se degradado. Portanto, em Apocalipse, o Senhor repudia todas as formalidades. Ser um presbítero pode ser algo legal ou formal. Não aspire a ser um presbítero; deseje ser uma estrela resplandecente. Não seja alguém com uma mera posição; seja uma estrela resplandecente. Tanto o candelabro como as estrelas resplandecem à noite. Tanto a igreja como os líderes nas igrejas precisam resplandecer. Todos os líderes devem ser estrelas. (Estudo-Vida de Apocalipse , p. 125)

Hoje, são os fiéis que o Senhor deseja na igreja, não aqueles que proclamam sua autoridade a fim de controlar os outros. O que o Senhor precisa são as estrelas brilhantes que falam em unidade com o Espírito. Que nos voltemos de toda busca com esse toque de interesse próprio para sermos purificados pelo Senhor, de modo que nos tornemos luzeiros por meio dos quais nosso Deus Triúno pode brilhar a fim de ganhar Sua expressão e Sua representação por intermédio da igreja para introduzir Seu reino.

Leituras Recomendadas


Notes:

1Em todas essas coisas, os apóstolos e presbíteros se apresentam como padrão para os crentes (1Co 11:1; Fp 3:17; 1Ts 1:6-7; 1Tm 1:16; Fp 4:9; 1Pe 5:3; At 20:18-21) para seu aperfeiçoamento (Ef 4:11-12; Cl 1:28-29) e edificação (1Co 3:10; 2Co 10:8; 13:10). Em sua função de pastorear e ensinar, os apóstolos têm autoridade para designar e remover presbíteros (At 14:23; Tt 1:5; 1Tm 5:19-20); para regular, ajustar e até exercer disciplina nas igrejas (1Co 6:1-8; 7:1-40; 11:2-34; 14:40; 4:21); e para advertir e direcionar as igrejas (2Co 11:2-4; Gl 1:9; 3:1-5; Ef 4:14-15; Cl 2:1-2, 8, 18; 3Jo 9-10; 1Co 16:1, 10-11; Cl 4:7-9; 2Tm 4:9; Tt 3:12).

2Uma tradução anterior de Autoridade e Submissão de uma editora diferente.

3Quando Paulo vindicou seu ministério apostólico, isso não foi auto-vindicação. Segundo a verdade, Paulo percebeu que a igreja em Corinto não podia ser restaurada a uma posição adequada enquanto ficasse separada de seu ministério. Por isso, em 2 Coríntios 12:19, ele diz: "Há muito, pensais que nos estamos desculpando convosco. Diante de Deus, em Cristo, falamos; mas todas as coisas, amados, são para a vossa edificação."

4Ver "Um Apelo aos Jovens na Restauração do Senhor — Não Sejam Espoliados de sua Herança" e "A Maneira Ordenada por Deus de Obter Aumento vs. As Maneiras Mundanas do Cristianismo Degradado" neste site.

5Num livro publicado recentemente—Three Aspects of the Church, Book 2: The Course of the Church—o irmão Lee apresenta cinco pontos acerca de como enfrentar uma situação de degradação na igreja. São eles: manter uma boa consciência (1Tm 1:5, 19; At 24:16; 1Tm 3:9; 1Pe 3:16); purificar-se dos vasos de desonra (2Tm 2:21); orar com um coração puro (2Tm 2:22); ter comunhão em vida (1Jo 1:3; Fp 2:1-2); e cuidar da unção (1Jo 2:27). Todos esses requisitos são para nós nos tornarmos um vencedor no meio de uma situação degradada. Vencer é restaurar o primeiro amor (Ap 2:4-5), ser fiel até a morte (2:10), abandonar os ensinamentos e organizações que não estavam lá no início (2:14), abandonar os ensinamentos de Jezabel que introduzem o mundanismo e a autoridade mundana (2:20), rejeitar fraqueza e morte espirituais (3:1), manter o amor pelos irmãos (3:7) e não procurar satisfazer a si mesmo (3:17). Recomendamos esse livro para leitura e oração aos santos.